- O grupo de extrema-esquerda Vulkangruppe (Grupo Vulcão) reivindicou um incêndio que provocou um blackout no sudoeste de Berlim, deixando sem electricidade cerca de 45 mil habitações; o restabelecimento deve ocorrer na quinta-feira.
- O incêndio danificou cabos de alta voltagem numa estação de Berlim-Lichterfelde, afetando também o serviço móvel e o aquecimento; foram registados encerramentos de estabelecimentos, e hospitais e lares de idosos transferiram pacientes.
- A sabotagem é apresentada como medida contra a expansão de infraestruturas fósseis, descrita numa carta publicada online como ato de autodefesa e de solidariedade internacional; a polícia considera a mensagem credível.
- O grupo, que desde 2011 tem protagonizado ataques a infraestruturas energéticas, escolhe alvos de alto impacto para demonstrar vulnerabilidade da rede e da vida pública.
- O incidente alimenta o debate sobre a transparência de informações de infraestruturas críticas na Alemanha, com projetos de legislação em curso e reacções de políticos e entidades setoriais sobre segurança e proteção física e cibernética.
O grupo de activistas Vulkangruppe, conhecido como Grupo Vulcão, reivindicou um incêndio ocorrido num sábado que atingiu Berlim, deixando cerca de 45 mil habitações sem energia. A falha afetou zonas de Berlim-Lichterfelde, Nikolassee, Zehlendorf e Wannsee. O objetivo alegado era expor vulnerabilidades da rede eléctrica alemã, não apenas provocar cortes, segundo relatos à imprensa.
A rede de Stromnetz Berlin refere que o fogo danificou cabos de alta voltagem numa estação integrada de gás, electricidade e aquecimento. O restabelecimento total da energia está previsto para quinta-feira à noite, com impacto também em comunicações móveis e aquecimento de algumas áreas. Habitações, comércio e serviços de saúde foram afetados.
O grupo descreveu a ação como uma resposta à expansão de infraestruturas fósseis, apresentando uma carta online que circula entre as autoridades como credível. A missiva pede desculpas às populações menos favorecidas, ao mesmo tempo que critica proprietários de imóveis e elites locais pela alegada destruição ambiental.
Segundo especialistas, o Grupo Vulcão tem historial de ataques a infraestruturas energéticas em Berlim e Brandenburg desde 2011. Em março de 2024 já reivindicou um ataque à fábrica da Tesla em Grünheide, Brandenburg, enfatizando a estratégia de visar cabos e centrais para demonstrar vulnerabilidade.
Alegadas consequências vão além da energia, com interrupções em telecomunicações e serviços de aquecimento. A indústria de energia defende uma revisão das regras de transparência sobre infraestruturas críticas, argumentando que dados sensíveis podem colocar a segurança física e cibernética em risco.
Contexto sobre segurança e transparência
O debate legislativo em torno da proteção de infraestruturas críticas envolve pedidos de maior confidencialidade em dados sensíveis. Enquanto alguns afirmam que informações abertas podem facilitar ataques, outros defendem que a transparência supplementary fortalece a resiliência do sistema.
Repercussões e próximos passos
O governo alemão deverá apreciar propostas de legislação que equilibram segurança, privacidade e acesso público a informações. O Serviço Federal para a Segurança da Informação tem alertado para riscos de interferência externa nas redes energéticas.
Observação final
Especialistas apontam que a vulnerabilidade da rede não resulta apenas de atos isolados, mas de lacunas históricas de investimento em infraestruturas críticas. A investigação continua a explorar as ligações entre o grupo e eventuais redes de apoio.
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