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Guerra contra as drogas sob Trump: a Venezuela é produtora ou rota de saída?

Venezuela é rota de trânsito de cocaína, não produtora; EUA ligam Maduro ao Cartel de los Soles, mas especialistas contestam produção local.

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  • EUA afirmam combater fluxo de drogas a partir da Venezuela, mas dados internacionais mostram que o país não é produtor relevante de cocaína e é mais utilizado como país de trânsito, principalmente para rotas para a Europa.
  • Maduro é acusado de narcoterrorismo e ligado ao Cartel de los Soles, uma rede que, segundo analistas, envolve militares e políticos e sustenta o regime com rendimentos do tráfico.
  • Produção de cocaína ocorre principalmente na Colônia, Peru e Bolívia; a Venezuela não integra o núcleo de produção, embora esteja envolvida como ponto de passagem em rotas que seguem para os EUA ou Europa.
  • As rotas principais de cocaína costumam seguir pela Colômbia, Peru e Bolívia para o Pacífico (Equador, México), com o Pacífico consolidando-se como principal via de saída; as Caraíbas continuam ativas, mas com papel menor.
  • Estados Unidos designaram Maduro como líder do Cartel de los Soles, criando base legal para ações contra o regime; permanece, contudo, debate sobre a real natureza criminal da rede no país.

O tema em análise envolve acusações dos EUA contra Nicolás Maduro e o alegado papel do Cartel de los Soles no narcotráfico. Washington afirma que a Venezuela é sinalizada como ponto-chave para o fluxo de cocaína destinada aos EUA e à Europa, bem como para o financiamento do regime.

Entre 2013 e o presente, diferentes análises apontam para incongruências nessa narrativa. A Venezuela não é considerada produtora relevante de cocaína nem faz parte do eixo principal de produção de fentanil. O país seria, sobretudo, um país de trânsito para rotas que atravessam a região.

O foco das acusações não se resume apenas às drogas. Analistas veem que a retórica pode ter motivações políticas, dadas as grandes reservas petrolíferas venezuelanas e o objetivo de mudança de regime, segundo diversas leituras do tema.

Tráfico de cocaína: produção e rotas

Especialistas destacam que a Venezuela não produz significativamente cocaína. As principais regiões produtoras permanecem Colômbia, Peru e Bolívia, onde se concentra a matéria-prima e as primeiras etapas de transformação.

Dados da UNODC mostram que, entre 2019 e 2023, a Colômbia desmantelou milhares de laboratórios, seguidos pela Bolívia e pelo Peru. A Venezuela, por seu papel de trânsito, mantém ligações a rotas que cruzam fronteiras com a Colômbia.

Para Jenaro Abraham, a droga que chega à Venezuela vem, na maior parte, de outras nações produtoras e utiliza a fronteira com a Colômbia como eixo logístico. A rota de saída predominante segue para a Europa, com parte da cocaína chegando aos EUA.

O MAOC-N aponta uma consolidação de rotas marítimas no Pacífico, ligadas ao Equador, México e, em menor medida, aos corredores da Venezuela. A partir de 2020, as apreensões no Pacífico superaram 1,5 mil toneladas, evidenciando mudanças no fluxo global.

Ainda assim, análises sobre as Caraíbas indicam que a região continua a desempenhar papel de trânsito, com atividade relevante em países como República Dominicana, Trinidad e Tobago e Porto Rico. O tráfico é descrito como deslocável conforme pressões policiais.

Cartéis, reconhecimento e controlo

O chamado Cartel de los Soles é apresentado pelos EUA como uma rede ligada ao narcotráfico venezuelano e associada ao poder político. Autores e órgãos internacionais divergem sobre a natureza exata dessa ligação, descrevendo-a como complexa e sujeita a hipóteses diferentes.

O governo norte-americano classificou Maduro como chefe de uma organização “narcoterrorista”, o que ampliou a base legal para ações contra o regime. Em 2025, várias organizações criminais latino-americanas passaram a constar de listas de penalização de Washington.

O debate persiste entre quem analisa a geopolítica regional: há quem veja no cartel uma estrutura de proteção de interesses estatais, enquanto outros consideram que a etiqueta de narcoterrorismo pode simplificar a leitura de um fenômeno multifacetado.

Reforça-se que as autoridades venezuelanas atuam para desarticular redes de tráfico ao longo da fronteira com a Colômbia, mantendo o controle institucional e tentando enfraquecer redes que operam na região.

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