- Eco-ansiedade é uma resposta emocional adaptativa à crise climática e degradação ambiental, incluindo medo, raiva, tristeza ou culpa.
- Manifesta-se através de emoções intensas ligadas à crise climática, podendo afetar sono e desempenho diário, e motivar ou dificultar a ação ambiental.
- Não é uma doença mental nem diagnóstico clínico, mas pode interferir na vida diária e exigir apoio psicológico quando relevante.
- Afeta especialmente jovens e pessoas com maior vinculação à natureza; estudo The Lancet (2021) aponta que cerca de 60% estavam muito ou extremamente preocupados e mais de 45% disseram que os sentimentos afetavam a vida diária.
- Técnicas de coping incluem expressar emoções, atividades físicas, convívio familiar e redução do consumo informativo; professores e famílias podem apoiar a gestão emocional e a ação climática.
O conceito de eco-ansiedade descreve uma resposta emocional adaptativa face à crise climática e à degradação ambiental. Pode incluir preocupação, medo, raiva, tristeza ou culpa, variando entre mobilizar ações e dificultar a gestão emocional. A perceção contínua de notícias ambientais amplifica o phenomenon, mesmo sem eventos extremos diretos.
Teresa Raquel Pereira, psicóloga com doutoramento em Psicologia Aplicada, explica que o termo funciona como rótulo amplo para várias respostas emocionais. Trata-se de uma reação antecipatória aos impactos da crise climática, que pode surgir também após exposição a fenómenos extremos.
O que é a eco-ansiedade
A eco-ansiedade manifesta-se sobretudo através de medo, raiva, culpa, frustração e desespero, associados a pensamentos sobre a crise climática. Pode incluir sensação de impotência, insatisfação com a inação e preocupação com o futuro. Em alguns casos impulsiona comportamentos pró-ambientais.
Há também uma procura frequente de informação e alterações na rotina diária, como sono e desempenho escolar ou profissional. Contudo, nem todas as pessoas que demonstram preocupação mostram impactos significativos na vida diária.
A eco-ansiedade é uma doença mental?
Não é uma condição clínica. Não deve ser rotulada como doença mental, visto tratar-se de uma resposta compreensível às ameaças ecológicas. Alguns especialistas sugerem ver a eco-ansiedade como uma forma de eco-empatia ou eco-cuidados.
Ainda assim, a existência de sintomas pode exigir apoio psicológico quando interfere com o funcionamento diário. A ausência de diagnóstico clínico não diminui a sua expressão real, segundo a comunidade científica.
Impactos na saúde mental
As consequências são diversas. Pessoas com historial de saúde mental podem ser mais vulneráveis. Quando a eco-ansiedade compromete hábitos diários, aconselha-se acompanhamento adequado.
Entre os efeitos, destacam-se sofrimento emocional, alterações de sono, maior vulnerabilidade do sistema imunitário e piora de condições prévias. Em casos severos, podem ocorrer ansiedade persistente, depressão e stress pós-traumático.
Como lidar com estas emoções
Expressar sentimentos e validá-los junto de familiares ou através de atividades criativas pode ajudar na regulação emocional. Atividades físicas, caminhadas e tempo em família fortalecem o vínculo com o espaço e incentivam ações positivas.
Atenção a que nem todos respondem da mesma forma; para alguns, maior ligação à natureza pode intensificar o desconforto. Conversar sobre o tema e ajustar padrões de consumo de informação também ajuda. O papel da família é fundamental no apoio emocional e na promoção de ações úteis.
Professores e comunidade educativa têm de incentivar formas de expressão que tornem a ação climática relevante para os jovens, evitando alarmismo e promovendo fundamentação. A validação emocional e a promoção de autoeficácia coletiva ajudam a manter o equilíbrio.
Origens e alcance
O termo ganhou força após a publicação de um relatório da American Psychological Association em 2017, que o descreveu como medo crónico da destruição ambiental. A partir de 2018, com a visibilidade pública de Greta Thunberg, o conceito tornou-se mais estudado.
Foco nos jovens
A eco-ansiedade é mais comum entre jovens e pessoas com maior consciência ambiental, incluindo profissionais expostos ao clima, como cientistas e agricultores. Estudo de 2021 na Lancet, com 10 mil jovens de 10 países, including Portugal, mostrou que cerca de 60% estavam muito ou extremamente preocupados com as alterações climáticas e mais de 45% relatavam impacto na vida diária.
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