Em Alta futeboldesportointernacionaispessoasnotícia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Sociedade quer luto discreto, rápido e funcional, diz psiquiatra

Perestrelo questiona a pressão social por luto rápido e discreto, defendendo a integração da dor como caminho para a humanidade e a cura

Telinha
Por
“A sociedade quer que o luto seja discreto, rápido e funcional, como se a perda se resolvesse por protocolo” – Psiquiatra João Perestrelo
0:00
Carregando...
0:00
  • O psiquiatra João Perestrelo critica a pressão social para que o luto seja discreto, rápido e funcional, e apresenta o livro Aprender a Andar no Escuro como caminho para entender e integrar a dor.
  • O autor questiona o modelo ocidental de doença mental, defendendo que o sofrimento é parte da condição humana e não apenas um sinal de doença.
  • O livro sustenta que a depressão é multifatorial, não apenas um desequilíbrio químico, e aponta que fármacos antidepressivos têm eficácia limitada em muitos pacientes.
  • A obra utiliza a experiência pessoal de Perestrelo com ansiedade para enfatizar que compreender o sofrimento não é o mesmo que superá-lo, destacando a importância da presença do médico ao acompanhar o doente.
  • Propõe uma “via da transmutação”: aceitar a dor sem negá-la, cultivar equanimidade e integrar a fragilidade como parte essencial da condição humana.

Numa entrevista e apresentação do livro Aprender a Andar no Escuro, o psiquiatra João Perestrelo discute a forma como a sociedade lida com a dor e o sofrimento. A obra, publicada pela Contraponto, cruza ciência, clínica e reflexão filosófica para questionar a medicalização do sofrimento.

O médico funchalense, com atuação académica em Porto, defende que o Ocidente tende a ver a dor como algo a eliminar. O autor argumenta que o sofrimento é parte da experiência humana e pode ter função transformadora, não sendo necessariamente sinal de doença.

Perestrelo é docente convidado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e coordenador de uma especialização em Estados Modificados de Consciência. Fundou a Mind House, clínica dedicada à saúde mental no Porto, e atua em várias instituições nacionais.

Sobre o que o livro propõe

O autor sustenta que a dor pode e deve ser integrada, não reprimida. A obra analisa depressão, ansiedade, luto e fragilidade como experiências moldadas pela biografia e pelo contexto social, não apenas por desequilíbrios químicos.

O livro critica a visão de que sofrer é um erro do sistema e afirma que a dor psíquica nem sempre é visível aos exames. A abordagem enfatiza a importância de nomear, simbolizar e integrar a dor no conjunto da vida.

O papel da cultura e da medicina

Perestrelo aponta que a cultura atual valoriza a produtividade e a eficiência em detrimento do ser. A publicação defende a equanimidade, mantendo a presença diante da dor sem buscar eliminá-la rapidamente.

Ao longo da obra, o autor questiona a tendência de tratar a depressão apenas como desequilíbrio químico. Reforça que fatores como trauma, vínculos precários e isolamento social participam na etiologia da doença mental.

A visão sobre o sofrimento e a prática clínica

O pesquisador partilha experiências da ansiedade, destacando que o sofrimento ensina mais do que qualquer manual. A presença terapêutica é destacada como elemento central para acompanhar quem sofre.

Na abordagem ao luto, o livro defende que não se deve curar o luto rapidamente, mas compreendê-lo. O objetivo é acompanhar o processo, dando significado à perda sem desvalorizar a dor.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais