Médicos de família na Alemanha criticam as novas regras para as baixas de doença propostas pela coligação, especialmente a obrigação de apresentar declaração de incapacidade laboral desde o primeiro dia de doença. A contestação vem após o plano de reforma anunciado pelo governo de coalizão. O foco é evitar sobrecarga nos consultórios, segundo os médicos, que temem burocracia acrescida.
Os representantes da associação de médicos de família, Nicola Buhlinger-Göpfarth e Markus Blumenthal-Beier, classificam as propostas como uma catástrofe absoluta para a prática clínica. A avaliação baseia-se na avaliação de que a mudança não reduz a duração das baixas, mas aumenta a carga administrativa.
Segundo o Deutsches Ärzteblatt, os clínicos estimam que, se não houver baixa médica por telefone e se o AU passar a ser exigido desde o primeiro dia, a procura por atestados ganhará termos de três dias como mínimo. Hoje, o AU é obrigatório a partir do quarto dia.
Reação dos médicos de família
Blumenthal-Beier afirma que a medida de desburocratização mais relevante do sistema de saúde será eliminada de forma abrupta. Os consultórios poderão ficar inundados com pacientes sem necessidade de atendimento presencial, segundo a perspetiva dos clínicos.
Cihan Celik, pneumologista de Darmstadt, observa que a reforma não resolve problemas estruturais. A coligação terá implementado uma solução que pode agravar o absentismo e sobrecarregar doentes, consultórios e colegas, sem benefício claro.
O que está em jogo
Merz, chanceler, sustenta que, no futuro, voltará a vigorar a regra pré-pandemia para as baixas. Diz ainda que trabalhadores podem negociar regras diferentes com os empregadores, mantendo a flexibilidade.
As propostas decorrem de planos da ministra da Saúde, Nina Warken, centrados num sistema de médico de família de referência. Este modelo coloca o clínico geral como coordenador das consultas de especialidade, em linha com o que se faz noutros países.
Perspetivas de desfecho
Um inquérito realizado para a associação de médicos de família revelou receios quanto aos impactos das medidas. Cerca de 77% dos inquiridos teme efeitos negativos, com menos tempo por paciente e maiores tempos de espera como principais preocupações.
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