- Um estudo sugere envelhecimento biológico acelerado em pessoas com menos de 50 anos, associando-o ao aumento de diagnósticos de cancro precoce; coortes diferentes mostram idades biológicas mais altas em 1965‑74 e em 1990‑99 em comparação com referências anteriores.
- Os nascidos entre 1990 e 1999 apresentaram envelhecimento biológico superior ao observado nos nascidos entre 1965 e 1969.
- Segundo um relatório do British Medical Journal, o número de pessoas com menos de 50 anos diagnosticadas pela primeira vez com cancro aumentou 79% desde 1990, em todo o mundo.
- As taxas de cancro infantil também subiram na União Europeia, com cerca de 13 800 crianças e adolescentes diagnosticados em 2022 nos 27 Estados‑Membros, segundo o European Cancer Information System.
- A relação de causa entre envelhecimento biológico acelerado e cancro não está comprovada; fatores propostos incluem alimentos ultraprocessados, álcool, obesidade, tabagismo e microplásticos, e é necessária mais investigação.
O envelhecimento biológico acelerado pode ajudar a explicar o aumento de cancro em pessoas com menos de 50 anos. Um estudo recente, publicado na Nature Medicine, compara idades biológicas de diferentes gerações.
Os investigadores analisaram indivíduos nascidos entre 1950-1954, 1965-1974 e 1990-1999. Os resultados mostram que pessoas nascidas entre 1965-1974 apresentaram idade biológica mais elevada que a geração anterior, e os nascidos entre 1990-1999, em média, envelheceram ainda mais rápido.
A equipa liderada pela Universidade de Washington indica que estes padrões podem estar ligados ao acréscimo das taxas de cancro entre os mais jovens, embora não demonstrem causalidade direta. As alterações são observadas a nível celular e molecular, com desgaste acelerado no organismo.
Ao mesmo tempo, dados globais mostram um aumento significativo de diagnósticos em menores de 50 anos desde 1990, conforme relatado pelo BMJ. Na UE, a estimativa de cancro infantil também tem aumentado, com cerca de 13 800 crianças diagnosticadas em 2022, segundo o ECIS.
Especialistas destacam que fatores ambientais e de estilo de vida podem influenciar este envelhecimento precoce. Entre os possíveis contributos estão o consumo de ultraprocessados, álcool, obesidade, tabagismo e a exposição a microplásticos.
Os autores do estudo defendem que o corpo deve ser visto de forma holística, não apenas pela presença de células cancerígenas isoladas. A opção por observar alterações gerais ao longo do tempo é apresentada como relevante para compreender o fenómeno.
Um dos peritos ouvidos pelo portal científico afirmou que as conclusões reforçam a necessidade de investigar como o ambiente, a saúde geral e o comportamento quotidiano influenciam processos biológicos de longo prazo. Ainda assim, continua a faltar evidência sobre causalidade.
Os pesquisadores também destacam a importância de aprofundar o tema para perceberem o que realmente impulsiona o envelhecimento precoce em gerações mais jovens e de que forma se relaciona com o cancro e outras doenças crónicas.
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