- A primeira unidade pública especializada no tratamento da dependência do jogo a dinheiro abre, em Lisboa, para responder ao aumento de procura desde 2023 (358 utentes em 2023 para 782 em 2025).
- A unidade funcionará em regime ambulatório, sem internamentos, inicialmente no Espaço Jovem em Lisboa, com obras no edifício do ICAD no Restelo para futura instalação.
- Destinada, numa primeira fase, a adultos com dependência de jogo a dinheiro, com perfil masculino entre os 15 e os 34 anos; as referencias serão feitas pelo Serviço Nacional de Saúde e pelo ICAD.
- A equipa é multidisciplinar (psiquiatras, psicólogos, assistente social e contabilista) e a intervenção combinará sessões individuais e grupais, com intervenção familiar, e três a quatro grupos de até 14 utentes cada.
- Além do tratamento clínico, haverá investigação e monitorização de resultados; será criado também um programa de dependência de videojogos para jovens, com referência ao Norte (Porto) a 29 de junho, com eventual alargamento a Lisboa.
A primeira unidade pública especializada no tratamento da dependência do jogo a dinheiro abre em Lisboa, na quinta-feira, como resposta ao aumento da procura de apoio. O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) afirma que o número de utentes procurados quase duplicou desde 2023.
Entre 2023 e 2025, o ICAD passou de 358 para 782 utentes em tratamento, um crescimento de 118%. A responsável Joana Teixeira explica que a nova unidade surge para responder a uma necessidade crescente com base em evidência científica.
A unidade funcionará em regime ambulatório e ainda não tem data de conclusão das obras de remodelação no edifício do ICAD no Restelo. Temporariamente, o atendimento começa no Espaço Jovem em Lisboa, cedido pela Câmara Municipal, que apoiou a iniciativa.
Novo modelo de intervenção em Lisboa
A unidade destina-se inicialmente a adultos com dependência do jogo a dinheiro, com perfil masculino entre os 15 e os 34 anos. A referência será feita pelo Serviço Nacional de Saúde e pelas restantes unidades do ICAD.
A equipa é multidisciplinar, incluindo psiquiatras, psicólogos, uma assistente social e um contabilista. O programa combina sessões individuais e grupais, com a expectativa de criar três a quatro grupos de até 14 doentes cada.
A intervenção envolve também as famílias, numa abordagem sistémica. A experiência indica que, na maioria das situações graves, os familiares sinalizam a necessidade de intervenção.
Consulta europeia e evolução do programa
O ICAD pretende seguir modelos já existentes em Espanha e Inglaterra. A diretora refere que o programa foi desenhado com participação de especialistas portugueses, em colaboração com equipas de outros países.
A instituição aponta que o programa engloba também uma componente de investigação e monitorização de resultados, para aferir a eficácia das intervenções e melhorar o atendimento.
Perspectivas e expansão
Além da nova unidade de Lisboa, o ICAD inicia no dia 29 de junho um programa de tratamento de dependência de videojogos, dirigido a jovens, integrado numa unidade já existente no Porto. A referência pode ocorrer através de médicos de família ou de vias internas do ICAD.
A responsável sublinha que as dependências costumam apresentar comorbidades psiquiátricas, com depressão e ideação suicida associadas ao jogo a dinheiro, e ansiedade e perturbações do humor associadas aos videojogos. A prioridade atual é responder de forma imediata aos casos que chegam aos serviços.
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