- Estudo da Universidade de Trento, em Itália, analisou 1.644 pares de amostras de boca e fezes para perceber a transmissão de microrganismos entre pessoas que vivem juntas.
- Quem coabita partilha 19% das estirpes do microbioma intestinal e 26% do microbioma oral, muito mais do que entre pessoas que não convivem.
- Companheiros românticos partilham em média 44% dos microrganismos orais, possível consequência de beijos.
- A troca ocorre por contacto diário e ambientes partilhados, como refeições em conjunto e casas de banho.
- Os microrganismos que se transmitem com mais facilidade estão ligados a saúde deficiente, nomeadamente a questões cardiometabólicas, e, na boca, a microrganismos associados a cancro colorretal; as conclusões podem orientar terapias baseadas no microbioma.
O estudo realizado pela Universidade de Trento, em Itália, aponta que quem partilha a casa também partilha parte do microbioma. Investigadores analisaram pares de amostras de boca e fezes para entender a transmissão de microrganismos entre pessoas que vivem juntas.
Concluíram que coabitar envolve partilha de 19% das estirpes do microbioma intestinal e 26% do microbioma oral, números significativamente superiores aos observados entre pessoas que não vivem juntas. Parentes próximos apresentaram padrões semelhantes.
Os parceiros românticos, por sua vez, partilhavam em média 44% dos microrganismos orais, com a pesquisa destacando o papel de beijos e contacto diário na transmissão. O estudo envolveu 1 644 pares de amostras, com foco em indivíduos saudáveis.
A equipa explica que a transmissão resulta de ambientes partilhados e rotinas comuns, como a preparação de refeições, a partilha de casas de banho e a convivência diária. O facto de os microrganismos estarem dispersos pelo corpo é apontado como um fator-chave.
Entre os microrganismos mais transmitidos, destacam-se espécies associadas a condições de saúde menos favoráveis, incluindo diabetes tipo 2 e saúde cardiometabólica diminuída. Além disso, na saliva surgem microrganismos ligados a possíveis riscos oncológicos.
Embora a origem exata destes microrganismos permaneça incerta, os autores sugerem que características de resistência ao stress podem facilitar a disseminação entre pessoas e a colonização de novos hospedeiros. Segata sublinha que as vias de entrada são complexas e multifatoriais.
Os autores indicam que os achados podem orientar abordagens terapêuticas baseadas no microbioma, como probióticos e transplantes de microbiota fecal, com potencial impacto na personalização de tratamentos. O estudo reforça a ideia de que o ambiente doméstico molda o microbioma individual.
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