- Surdos denunciam falhas no apoio do Estado devido ao elevado custo dos aparelhos auditivos e à reduzida comparticipação pública.
- António Ricardo Miranda, presidente da Ouvir, afirma que os aparelhos são eficazes, mas o sucesso da reabilitação depende também de diagnóstico atempado, adaptação e acompanhamento clínico contínuo.
- A associação critica a ausência de uma política pública robusta para a saúde auditiva e o facto de a maioria dos seguros não cobrirem aquisição, substituição ou atualização de dispositivos.
- A Ouvir entregou uma petição à Assembleia da República para debater os direitos das pessoas com deficiência auditiva; o relatório final reconhece preocupações e aponta a necessidade de um Plano Nacional de Saúde Auditiva, maior comparticipação e atualização tecnológica.
- A Comissão de Saúde recomendou o envio da petição e do relatório à tutela e aos grupos parlamentares para eventual ponderação de medidas legislativas.
O que não há dinheiro, não há audição. Surdos denunciam falhas no apoio do Estado em Portugal, com milhares a ficar sem resposta adequada pese as evoluções tecnológicas. A questão persiste devido ao custo elevado dos aparelhos e à baixa comparticipação pública.
António Ricardo Miranda, presidente da Ouvir, afirma que os aparelhos auditivos são eficazes na maioria dos casos e que os avanços tecnológicos melhoraram a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida. Contudo, alerta para fatores além da tecnologia.
O acesso atempado ao diagnóstico, a adaptação personalizada e o acompanhamento clínico contínuo são essenciais, mas nem sempre garantidos de forma equitativa no país. A associação aponta para falhas estruturais no financiamento da saúde auditiva.
Baixa comparticipação
Miranda sustenta que Portugal está atrasado no apoio às pessoas com deficiência auditiva face a outros países europeus. A comparticipação pública é descrita como limitada e burocrática, dependendo muitas vezes da capacidade económica do cidadão.
A Ouvir vê a ausência de uma política pública robusta para a saúde auditiva como o principal problema. Além disso, a maioria dos seguros de saúde não cobre aquisição, substituição ou atualização de aparelhos.
Sensibilizar os jovens
O foco também está na prevenção entre os jovens. O presidente da Ouvir diz haver pouca sensibilização para os riscos da exposição ao ruído, sobretudo com auscultadores e ambientes sonoros elevados.
A associação entregou na Assembleia da República uma petição a pedir um debate sobre os direitos das pessoas com deficiência auditiva. O tema não atingiu o número de assinaturas para discussão obrigatória, mas teve conclusão considerada relevante.
O relatório final da Comissão de Saúde reconhece as preocupações apresentadas. Inclui a necessidade de um Plano Nacional de Saúde Auditiva, maior comparticipação e atualização tecnológica de processadores de implantes.
A Comissão recomendou o envio da petição e do relatório à tutela e aos grupos parlamentares para eventual ponderação de medidas legislativas. A Ouvir vê neste passo institucional um reconhecimento da deficiência auditiva como tema de saúde pública e direitos humanos.
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