A Europa enfrenta uma vaga de calor sem precedentes na última semana de maio, com temperaturas acima da média entre 10 ºC e 15 ºC. Em Mora, Portugal, o recorde mensal de temperatura máxima chegou a 40,3 ºC a 27 de maio, sinalizando o impacto extremo da inflação térmica na região. Este fenómeno ocorre num contexto de ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas.
Um estudo publicado na Environment International analisa 36,6 milhões de nascimentos no verão, em 250 vilas e cidades de 13 países entre 1979 e 2019. Conclui que grávidas e recém-nascidos são particularmente vulneráveis ao calor, que pode acelerar partos prematuros. Em dias de calor moderado, o risco aumenta 2,8 %; em calor extremo, 3,8 %.
Impacto por país
Entre os países analisados, a Espanha apresentou a taxa mais elevada de parto prematuro por milhão durante o verão, com León a liderar. Seguiram-se Itália (974) e Estónia (814). A Suíça registou a menor taxa entre os países estudados, com 628 partos prematuros por milhão.
O estudo também aponta fatores que modulam a vulnerabilidade, como o clima, condições socioeconómicas e qualidade da infraestrutura de saúde. Grávidas com menor escolaridade, mães jovens solteiras e condições económicas adversas mostram maior risco de parto prematuro ligado ao calor.
Como o calor pode levar a partos prematuros
A elevação da temperatura corporal pode induzir contrações uterinas. A desidratação, associada ao calor, perturba o equilíbrio de minerais como cálcio e magnésio e reduz o fluxo sanguíneo para a placenta. Além disso, o calor favorece processos inflamatórios e desequilíbrios de espécies reativas de oxigénio.
A vulnerabilidade aumenta porque o corpo da grávida gera mais calor devido ao crescimento do feto, ao passo que a dissipação térmica fica dificultada pelo ganho de peso. O período entre as semanas 31 e 40 é o mais sensível à probabilidade de parto prematuro.
Entre na conversa da comunidade