- Estudo da Universidade Pompeu Fabra (UPF) em Barcelona, com apoio da Fundação la Caixa, mostra o mecanismo pelo qual vírus como o chikungunya e o dengue persistem nos mosquitos sem os matar.
- O vírus replica-se sem danificar a célula hospedeira, mantendo produção de proteínas virais em níveis limitados, ao contrário do que acontece nos humanos.
- Este equilíbrio permite que o mosquito permaneça infetado ao longo da vida e possa transmitir o vírus a cada nova picada.
- A expansão geográfica de doenças transmitidas por mosquitos deve-se a fatores como alterações climáticas e globalização; biologicamente, o vírus acumula material genético, mas a produção proteica permanece limitada.
- Os investigadores destacam a necessidade de entender como o vírus regula a atividade nos mosquitos para abrir caminhos de impedir a transmissão.
Um estudo internacional conduzido pela Universidade Pompeu Fabra (UPF), em Barcelona, revela o mecanismo que permite aos vírus transmitidos por mosquitos, como o chikungunya e o dengue, persistirem nas moscas sem as matar. A investigação contou com o apoio da Fundação la Caixa e foi divulgado numa nota da fundação na terça-feira.
Os investigadores mostraram que, ao contrário do que ocorre em humanos, o vírus não aproveita de forma total a maquinaria celular nas múridas, limitando a produção de proteínas virais. Este ajuste evita o dano imediato à célula hospedeira, mantendo o mosquito viável e capaz de transmitir o vírus.
Perspectivas e implicações
Segundo o estudo, o vírus continua a replicar-se com moderação, assegurando uma carga viral suficiente para transmissão eficaz nas picadas subsequentes, sem comprometer a biologia do inseto. Este equilíbrio facilita a manutenção do vírus no vetor durante a vida do mosquito.
Quando um mosquito pica uma pessoa infetada, obtém o vírus para toda a vida e pode transmiti-lo em picadas futuras. O fenómeno contribui para a expansão geográfica de doenças como dengue e outros vírus transmitidos por mosquitos, impulsionada por fatores como alterações climáticas e globalização.
Os autores destacam a importância de compreender como os vírus regulam a atividade nos mosquitos, o que pode abrir caminhos para impedir a transmissão. A coordenadora do estudo, Juana Díez, afirma que alterar este equilíbrio poderia impedir que os mosquitos atuassem como vetores, embora ainda seja necessário testar em modelos com mosquitos infetados após alimentação com sangue infetado.
O estudo foi desenvolvido com modelos celulares, e os investigadores apontam que a validação em mosquitos infetados é necessária para avançar para aplicações farmacológicas. Os resultados reforçam a necessidade de pesquisas adicionais sobre a biologia viral nos vectores.
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