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Cinco décadas de estudo da nutrição em Portugal

Meio século de evolução da nutrição em Portugal, desde o curso de Nutricionismo no Porto até à FCNAUP, única instituição dedicada exclusivamente às ciências da nutrição

A 31 de Maio de 1976, nasceu no Porto o curso de Nutricionismo, o primeiro a nível nacional
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  • Em maio de 1976, nasceu o curso de Nutricionismo no Porto, marco inicial das ciências da nutrição em Portugal, com a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto a manter-se como única instituição do país dedicada exclusivamente a esta área.
  • Ao longo de cinco décadas, a FCNAUP testemunhou a evolução de políticas públicas, de instituições como o Centro de Estudos de Nutrição do INSA (fundado em 1976) e o Instituto da Qualidade Alimentar (1977), e da primeira campanha nacional de educação alimentar, “Saber comer é saber viver” (1977).
  • A designação atual de Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação foi estabelecida em mil novecentos nove e nove, após 1996, quando as ciências da nutrição passaram a integrar oficialmente a Universidade do Porto.
  • A faculdade funcionou, até 2020, em instalações provisórias, tendo ganho uma casa própria no Campo Alegre, no antigo edifício do Instituto de Biologia Molecular da Universidade do Porto.
  • Hoje, a FCNAUP continua a ser a única instituição no país dedicada exclusivamente às ciências da nutrição, com o curso de Nutricionismo a ser apontado como pioneiro na Península Ibérica e na Europa, rompendo com modelos formativos fortemente hospitalares.

Em Portugal, a nutrição tornou-se uma área académica definida em 1976, quando nasceu o curso de Nutricionismo no Porto. Hoje, a FCNAUP é a única instituição do país dedicada exclusivamente às ciências da nutrição.

Ao longo de cinco décadas, as primeiras políticas públicas associadas à alimentação surgiram com a criação de instituições técnicas, como o INSA e o Instituto da Qualidade Alimentar. Em 1977 nasceu a Roda dos Alimentos, guia diário de hábitos alimentares.

Em 1996, as ciências da nutrição passaram a funcionar na Universidade do Porto como Instituto Superior de Ciências da Nutção e Alimentação. Em 1999, recebeu a designação atual FCNAUP.

Durante o período entre 1976 e 2008, o curso funcionou num pavilhão provisório junto do Hospital de São João. Em 2009 mudou para instalações provisórias junto à Faculdade de Engenharia. Em 2020 mudou para o atual edifício no Campo Alegre.

A FCNAUP afirma que os nutricionistas formados ali foram pioneiros na Península Ibérica, rompendo com modelos meramente hospitalares de origem norte-americana. O diretor Pedro Graça reforça a evolução da profissão e da sua integração na saúde pública.

Nos anos 70, Portugal enfrentava fome e desnutrição, com uma mudança de mentalidade que passou a olhar para a alimentação como fenómeno social. Surgiram mensagens de educação alimentar, destacando o papel do pequeno-almoço, da frequência alimentar e do consumo de leite e hortícolas, bem como a redução do açúcar.

Nas décadas seguintes, a nutrição tornou-se área estratégica de saúde pública. Criaram-se o Conselho Nacional de Alimentação, a Associação Portuguesa de Nutrição e o Dia Mundial da Alimentação. A segurança alimentar ganhou pertinência com reformas e regulações nacionais.

Entre 2000 e 2010, fortaleceram-se normas de oferta alimentar em instituições públicas e houve avanços na regulação da alimentação, com a criação da ASAE e medidas para reduzir sal e açúcar na alimentação escolar. A obesidade tornou-se prioridade de saúde pública.

Na década de 2010, a Ordem dos Nutricionistas foi criada, consolidando a profissão. Em Portugal, o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável passou a ser liderado por nutricionistas da FCNAUP.

A partir de 2020, a nutrição passou a integrar agendas de sustentabilidade e desigualdades. O director Pedro Graça aponta desafios como desinformação, mudanças climáticas e acesso a alimentos de qualidade, num contexto de comunicação digital rápida.

Futuro

Os próximos anos implicarão lidar com alterações ambientais que afetam a produção e a disponibilidade de alimentos. A literacia científica e a relação entre ciência e sociedade ganham relevância para assegurar informação credível aos cidadãos.

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