A Sociedade Portuguesa de Pneumologia pediu medidas mais duras contra os cigarros eletrónicos e sublinhou a necessidade de expor a estratégia de marketing que envolve estes dispositivos e o tabaco aquecido. A posição foi comunicada a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se celebra no domingo.
Daniel Coutinho, coordenador da comissão de tabagismo da SPP, afirmou que é essencial promover campanhas de sensibilização para os mais jovens, com o objetivo de desconstruir mitos sobre a indução de deixar de fumar. O estudo aponta que há evidência de correlação entre cigarros eletrónicos e carcinogénese, bem como exposição a substâncias nocivas.
Segundo o investigador, alguns ensaios em animais indicam lesões associadas ao desenvolvimento de cancro, e o uso entre jovens pode causar doenças respiratórias. O especialista alerta que o vaping não é inofensivo e não existem dados que comprovem benefícios para a saúde.
Medidas propostas pela SPP
A comissão defende um conjunto de ações robustas para reduzir o consumo, fundamentadas em evidência. Entre elas estão o aumento de impostos sobre tabaco e nicotina, a proibição total de sabores, uma regulação mais apertada da publicidade online e das redes sociais, e o controlo mais restrito do comércio digital.
A SPP também recomenda o acesso universal a apoio especializado para pessoas que queiram deixar de fumar, destacando que o tabagismo continua a ser um determinante evitável de doença respiratória e mortalidade prematura em Portugal. A mensagem é de que deixar de fumar é a intervenção mais eficaz para reduzir riscos na saúde.
A instituição reforça ainda que a dependência nicotínica é uma doença crónica tratável e que a substituição por dispositivos eletrónicos não é reconhecida como estratégia terapêutica, pois pode manter a dependência.
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