- A Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV) alertou que viajar para Uganda, onde já foram detetados cinco casos de Ébola, exige uma estratégia de contingência.
- A viagem é possível, mas não deve ocorrer sem planeamento para lidar com alterações nas fronteiras, cancelamentos de voos e possíveis quarentenas ou testes PCR à entrada ou regresso.
- Pode haver encerramento de fronteiras terrestres (Cyanika/Katuna) ou exigência de quarentena ou testes ao regresso, o que aumenta o risco logístico.
- No que diz respeito ao seguro de viagem, muitos seguros podem excluir cancelamentos relacionados com o surto; apenas apólices específicas cobrem interrupção por doença infecciosa.
- Uganda confirmou três novos casos este sábado, elevando para cinco o total, incluindo uma morte; a doença é uma febre hemorrágica, com vacinas e tratamentos ainda limitados ao vírus Zaire.
A Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV) alertou que viajar para Uganda exige uma estratégia de contingência face ao surto de ébola, já com cinco casos confirmados no país. A mensagem foi divulgada neste domingo.
Segundo a entidade, viajar para Uganda continua possível, mas a segurança deve preceder a aventura, dado o aumento da volatilidade das fronteiras. Um eventual encerramento de fronteiras pode dificultar o regresso.
Manter-se bem informado e seguir as orientações das autoridades de saúde internacionais é essencial, explica a SPMV. O objetivo é reduzir riscos logísticos, mais do que a exposição direta ao vírus.
Riscos logísticos e seguros
Para além do menor risco de infecção, o perigo maior é logístico, aponta a SPMV. Fecho de fronteiras, cancelamento de voos e quarentenas podem afetar quem está no estrangeiro ou regressa ao país.
A organização destaca também questões relacionadas com seguros de viagem. Muitos contratos podem excluir cancelamentos ligados ao surto, especialmente se o surto já é conhecido pelas seguradoras.
Quanto à indemnização em caso de confinamento, a maior parte das apólices não cobre estadias prolongadas; apenas seguros com cobertura específica para interrupção de viagem por doença infecciosa pagam diárias para hotel e alimentação.
Se o Uganda decretar um lockdown regional, a seguradora pode invocar cláusulas de “ordem governamental” para justificar exceções ou recusas de cobertura.
Situação epidemiológica
O Uganda confirmou três novos casos, elevando o total para cinco, incluindo uma vítima mortal. A proximidade com a República Democrática do Congo, onde já houve mais de 200 mortos, aumenta a atenção internacional.
A doença provoca febre hemorrágica e continua a ser temível, apesar das vacinas e tratamentos disponíveis serem eficazes apenas contra o vírus Zaire, responsável pelas epidemias históricas.
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