- Especialistas e associações apresentaram o guia “As palavras pesam – Como falar de obesidade” para melhorar a comunicação sobre a obesidade, marcado pelo Dia Nacional da Luta contra a Obesidade.
- O documento, lançado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO), pela Associação Portuguesa de Pessoas que Vivem com Obesidade (ADEXO) e pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil, oferece recomendações a profissionais de saúde, académicos, entidades governamentais e comunicação social.
- Propõe linguagem centrada na pessoa, sem juízos de culpa, usando termos como “pessoa que vive com obesidade” e reconhece a obesidade como doença crónica multifatorial, não resultado exclusivo de escolhas individuais.
- Alertam para evitar expressões pejorativas sobre o peso, bem como imagens estereotipadas; defendem valorizar o esforço de mudança de comportamentos, mesmo com resultados não imediatos.
- Dados do Eurostat de 2025 indicam que o peso em excesso afeta 38,2% da população adulta em Portugal e a obesidade 17%.
Especialistas e a Associação de Pessoas Vivem com Obesidade pedem uma mudança na forma como se comunica sobre a obesidade. Alertam que a linguagem e as imagens usadas por profissionais de saúde e pela comunicação social podem alimentar estigmas.
Foi lançado o guia As palavras pesam — Como falar de obesidade, pela SPEO, ADEXO e a Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil. O lançamento ocorreu a propósito do Dia Nacional da Luta contra a Obesidade, assinalado este sábado.
Novo tom na comunicação
O documento recomenda uma linguagem centrada na pessoa, sem juízos de valor, culpa ou rótulos. Sugere expressões como pessoa que vive com obesidade, em vez de pessoa obesa, para evitar estigmatização.
A comunicação deve reconhecer a obesidade como uma doença crónica multifatorial, valorizando o esforço na mudança de hábitos, mesmo quando os resultados demoram a aparecer. Evitam-se termos pejorativos sobre peso e alimentação.
Mudanças sugeridas na prática jornalística
O guia aconselha evitar expressões como luta ou vitória contra a obesidade, bem como o uso de termos como obesidade mórbida. Recomenda ainda evitar imagens que retratam a obesidade de modo caricatural ou depreciativo.
Carlos Oliveira, presidente da ADEXO, criticou a abordagem mediática atual. Em declarações à Lusa, destacou que a maior parte da cobertura tende a perpetuar uma visão negativa, em vez de retratar realidades distintas.
O responsável apontou exemplos usados pela imprensa, como imagens de hambúrguer ou de um corpo excessivamente grande, que não correspondem à vida das pessoas com obesidade. Afirmou a importância de mostrar rotinas, traços e potencial de cada pessoa.
Perspectiva clínica e social
Carlos Oliveira reforçou que uma pessoa com obesidade pode lidar com a doença ao longo da vida, com tentativas de controlo de peso e recaídas, e não apenas num momento de diagnóstico. Enfatizou o papel da biologia na doença.
José Silva Nunes, presidente da SPEO, afirmou que persiste na sociedade a ideia de falta de força de vontade, associada à obesidade. Considerou-a uma condição neurobiológica, genética e crónica que exige compreensão.
O responsável pela endocrinologia da ULS de Lisboa assinalou que a mudança deve abrangir linguagem e imagens. Observou que o retrato atual pode ridicularizar as pessoas, algo que depende da comunicação social para alterar.
Ambos sublinharam a necessidade de envolver profissionais de saúde, evitando mensagens simplistas como comer menos e mexer-se mais, que podem ampliar desigualdades e estigma.
Segundo dados do Eurostat de 2025, 38,2% da população adulta em Portugal tem excesso de peso e 17% é obesamente classificada.
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