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Hantavírus pode permanecer no sémen durante anos, indica estudo

Hantavírus persiste no trato reprodutivo por até 71 meses, com RNA detectável no sémen de um paciente, sem evidência de transmissão sexual até ao momento

Pelo menos três pessoas morreram em resultado de um surto de hantavírus num cruzeiro no Atlântico
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  • Um estudo do laboratório suíço Spiez, publicado em Viruses em 2023, identificou material genético do hantavírus Andes no sémen de um doente seis anos após a infeção.
  • O paciente tinha 55 anos e foi infetado numa viagem entre o Equador e o Chile em 2016; o RNA viral foi detetado no sémen mesmo após o vírus ter desaparecido no sangue, na urina e no trato respiratório.
  • Os autores concluíram que o genoma do hantavírus persiste no trato reprodutivo por pelo menos 71 meses, com pouca evolução entre amostras de anos diferentes.
  • O estudo não investigou transmissão sexual; apenas foi detetado RNA viral, não vírus vivo, sugerindo possibilidade de o vírus permanecer no trato reprodutivo onde o sistema imunitário é menos ativo.
  • A experiência envolve apenas um paciente, não permitindo generalizações; o hantavírus transmite-se principalmente por roedores, sendo rara a transmissão entre pessoas, com o risco aumentado em contactos próximos, e pode evoluir para Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.

O hantavírus investigado está ligado a um surto a bordo de um navio de cruzeiro no Atlântico, que já deixou vários infetados e três mortos. Investigadores revisitam um estudo de 2023 que aponta a presença de material genético do vírus Andes no sémen de um paciente, quase seis anos depois da infeção.

O estudo, conduzido pelo laboratório suíço Spiez e publicado na revista Viruses, descreve a deteção repetida de RNA do hantavírus Andes em amostras de sémen de um homem infetado em 2016, durante uma viagem entre Equador e Chile. O paciente tinha 55 anos.

Os autores sublinham que o RNA encontrado é uma assinatura genética do vírus e não o vírus vivo. Assim, não houve investigação de transmissão sexual nesse caso específico, apenas a presença de material genético no trato reprodutivo masculino.

Persistência do vírus no trato reprodutivo

Ao longo de quase seis anos, oRNA permaneceu detetável no sémen, mesmo após o vírus deixar de ser detectável no sangue, na urina e no trato respiratório. Os investigadores sugerem que o genoma persiste no trato reprodutivo por vários meses.

Os dados mostraram também que, anos depois, o paciente apresentava elevados níveis de anticorpos contra o hantavírus, insinuando uma estimulação contínua do sistema imunitário pela presença do material genético. A estabilidade do material genético foi outro aspeto analisado.

Limitações do estudo e perspetivas

O estudo baseia-se apenas num único paciente, o que impede generalizações sobre a frequência deste tipo de persistência em outras infeções por hantavírus, seja da variante Andes ou de outras. Os autores destacam a necessidade de mais investigação para compreender o alcance clínico desta persistência.

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