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Doentes oncológicos em Portugal são dos que mais esperam fármacos inovadores

Portugal regista 919 dias de espera por fármacos oncológicos inovadores, entre os quatro piores da Europa, evidenciando desigualdade no acesso

Medicamentos
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  • Em Portugal, a espera para aceder a fármacos inovadores para o cancro é de 919 dias, situando o país em quarto lugar entre os analisados.
  • O relatório aponta que apenas Roménia, Lituânia e Estónia têm tempos de espera maiores do que Portugal para estes medicamentos.
  • Alemanha lidera com o tempo de espera mais curto (47 dias) e é o país com maior percentagem de fármacos autorizados desde 2021 já acessíveis (91%).
  • Portugal já tem 61% dos novos medicamentos disponíveis no mercado, acima da média europeia de 51%.
  • No que toca a doenças raras, a espera é ainda maior para os fármacos oncológicos (859 dias), quando a média europeia é de 614 dias; a Alemanha oferece acesso muito mais rápido (44 dias).

Os doentes em Portugal são dos que mais esperam para aceder a fármacos inovadores no tratamento do cancro, segundo um estudo europeu. A análise envolve 56 novos tratamentos aprovados desde 2021 e aponta Portugal com uma média de espera de 919 dias para colocar no mercado um fármaco oncológico. O relatório é da EFPIA, federação europeia do setor farmacêutico.

A investigação compara o tempo entre a autorização e a disponibilidade dos fármacos. Entre os países analisados, Portugal fica em 4.º lugar no ranking, atrás da Alemanha, que tem o acesso mais célere, com 47 dias médios de diferença entre autorização e disponibilidade.

Os dados destacam ainda que, apenas na Roménia, Lituânia e Estónia, é preciso esperar mais tempo do que em Portugal para ter um novo fármaco oncológico acessível aos pacientes. Na Estónia, o tempo médio é de 1.227 dias, na Lituânia de cerca de três anos e na Roménia 925 dias.

Desigualdades de acesso

A comparação internacional mostra que a Alemanha já disponibilizou 91% dos fármacos autorizados desde 2021, enquanto a Turquia aparece no extremo oposto com apenas 7%. Em Portugal, 61% dos novos medicamentos já estão no mercado, contrapondo a média europeia de 51%.

Entre os doentes com doenças raras, Portugal também se insere entre os que aguardam mais tempo. São 859 dias desde a autorização até à comercialização, enquanto na média europeia é de 614 dias. A Alemanha volta a destacar-se por ter acesso rápido, com 44 dias de espera.

Doentes raros não oncológicos e conclusão

Para medicamentos não dirigidos ao cancro, o cenário é ainda mais crítico: em média, apenas 39% dos novos fármacos estão disponíveis. O relatório da EFPIA alerta para um “cenário de desigualdade crescente” no acesso a medicamentos inovadores na Europa, com variações significativas entre países.

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