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Mercado em ruptura: resistência antimicrobiana e impacto na economia

RAM aumenta mortes e internamentos, eleva custos de saúde e reduz produtividade, com impactos económicos a nível mundial

Estelle Fruchet, diretora-geral da Shionogi Europe em França, juntou-se a Angela Barnes em estúdio no mais recente episódio de The Big Question.
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  • Resistência aos antimicrobianos (RAM) ocorre quando bactérias mutam e ficam resistentes aos antibióticos, tornando o tratamento mais difícil.
  • Na União Europeia, RAM causa mais de 35 mil mortes por ano; a nível global, cerca de 1,3 milhões de mortes anuais.
  • A RAM implica maiores custos médicos, perdas de rendimentos e menor produtividade, estimando-se cerca de 12 mil milhões de euros por ano na Europa.
  • Um estudo da Lancet (2024) antecipa que até 2050 podem morrer 39 milhões de pessoas por infeções associadas à RAM, com custos de saúde e produtividade muito elevados.
  • A indústria enfrenta dificuldades para desenvolver novos antibióticos, devido a modelos de negócio pouco atrativos; há propostas como modelos de subscrição, já testados no Reino Unido, para incentivar a inovação.

O tema da RAM, resistência aos antimicrobianos, é apresentado como uma ameaça tanto para a saúde como para a economia global. Especialistas e empresas farmacêuticas debatem os impactos futuros e as estratégias necessárias para evitar uma crise prolongada.

Em 2050, prevê-se que a hiperinfecção por bactérias resistentes cause mais mortes anuais do que o cancro. Estudos apontam custos elevados para sistemas de saúde, perdas de produtividade e impactos económicos amplos, mesmo em economias desenvolvidas.

A especialista Estelle Fruchet, directora-geral da Shionogi Europe em França, participou num debate para explicar por que a resistência aos antibióticos pode comprometer a economia, além da saúde pública.

O que é a RAM

A RAM descreve mutações bacterianas que tornam os antibióticos menos eficazes. O uso indiscriminado acelera a resistência, reduzindo opções terapêuticas e aumentando o risco de mortes evitáveis.

Dados da UE indicam mais de 35 mil óbitos anuais por RAM na União Europeia. Globalmente, o número ronda 1,3 milhão por ano, semelhante à população de cidades médias europeias.

Impacto económico

O aumento de doenças e internamentos coloca custos adicionais nos sistemas de saúde, reduzindo a produtividade e rendimentos. Na Europa, o impacto financeiro está estimado em cerca de 12 mil milhões de euros por ano e tende a crescer.

Relatórios de 2024 sugerem que, até 2050, até 39 milhões de mortes poderão ocorrer globalmente por infeções associadas à RAM, acrescidas de perdas de produtividade significativas.

Algumas previsões apontam para custos de saúde superiores a um bilião de dólares e uma redução de 3,8% do PIB mundial anual, caso não haja intervenções.

Caminhos e soluções

A indústria farmacêutica enfrenta barreiras para desenvolver novos antibióticos, com custos elevados e baixos retornos de mercado. A Shionogi mantém o desenvolvimento ativo, defendendo mudanças económicas para incentivar a inovação.

Modelos de subscrição, já testados no Reino Unido, propõem pagamentos anuais estáveis às farmacêuticas pelo acesso a antibióticos essenciais, sem depender do volume utilizado. A França é apontada como potencial candidata.

A cooperação entre médicos, governos e indústria é anunciada como condição necessária para travar a RAM. Reduzir uso em humanos e na agricultura, aliado a incentivos de investimento, surge como prioridade.

Perspectivas de cooperação

Estelle Fruchet destaca a necessidade de um novo modelo económico para tornar o desenvolvimento de antibióticos viável. A cooperação internacional é crucial, já que as bactérias se propagam globalmente e a resistência é um fenómeno comum a todos os países.

O debate também ressalta a importância de políticas que promovam tanto prevenção como inovação, incluindo mecanismos de financiamento que tornem este setor atrativo para a indústria farmacêutica.

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