O surto de hantavírus ocorrido a bordo do navio MV Hondius, que saiu da Argentina a 1 de abril e chegou a Tenerife a 10 de maio, gerou uma onda de desinformação nas redes sociais. Onze pessoas adoeceram, com pelo menos nove casos confirmados, e três passageiros morreram, incluindo um casal holandês exposto durante uma visita à América do Sul. Autoridades destacam que o vírus surge pela exposição a excrementos de roedores.
O vírus pode passar entre humanos apenas de forma muito rara, com transmissão ligada a contacto com excreções de roedores. Não há antivirais ou vacinas autorizadas para o hantavírus; o tratamento é de suporte e acesso rápido a cuidados intensivos, conforme as autoridades sanitárias.
A desinformação associou o termo a origens hebraicas e espalhou teorias conspiratórias sobre lucros farmacêuticos e encenações de crise. As redes sociais repetem já há semanas afirmações sem base factual, dificultando o esclarecimento público.
Desinformação sobre tratamentos
Várias publicações alegam que a ivermectina, antiparasitário, curaria o hantavírus. Provenientes de figuras públicas, estas afirmações costumam carecer de validação científica. A EMA confirmou que não existem provas de eficácia contra o hantavírus.
A agência salienta que não há tratamentos aprovados para o hantavírus, e o manejo clínico centra-se em cuidados de suporte, com diagnóstico precoce e internação conforme necessário. Teme-se que desinformação comprometa a resposta médica.
Moderna e teorias de conspiração
Alguns utilizadores alegam que a Moderna trabalha numa vacina contra hantavírus há anos, sugerindo encenações. Postagens comese vizualizações públicas citam uma parceria com uma universidade coreana, mas a colaboração está na fase pré-clínica.
Especialistas ouvidos pela Euronews dizem que é prática comum a investigação de vacinas para patógenos existentes há décadas. A existência de projetos ainda não implica ligação com o surto atual.
Origem do nome hantavírus
Nas redes sociais circulam explicações erradas sobre a origem do nome. Mensagens confundem termos hebraicos com o vocábulo de gíria, gerando alegações de ligações políticas.
Especialistas esclarecem que o nome não tem relação com qualquer parcela política. O termo deriva de uma doença identificada entre tropas da ONU na Guerra da Coreia, designada como febre hemorrágica coreana. Em seguida, foram localizados vírus em ratos de campo, dando origem ao conjunto hantavírus.
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