- Autarcas dos cinco concelhos servidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira pediram no parlamento a reabertura da urgência obstétrica da unidade, numa sessão da Comissão de Saúde da Assembleia da República.
- A discussão decorre no âmbito da petição “Pela manutenção e melhoria da urgência obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira” e foca o encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia.
- Segundo os autarcas, o encerramento afeta mais de trezentas mil pessoas, com distâncias superiores a cinquenta quilómetros ao hospital de referência e tempos de deslocação que podem exceder duas horas e meia em transportes públicos.
- Alegam que a solução do Ministério da Saúde não garante resposta eficaz, com constrangimentos operacionais no Hospital Beatriz Ângelo desde o encerramento e com metade dos dias com problemas no bloco de partos no primeiro mês da urgência regionalizada.
- O relatório da petição segue para discussão em plenário da Assembleia da República; a zona mantém a maternidade para partos programados e consultas de doença aguda, apesar de não ter urgência de ginecologia e obstetrícia.
Os autarcas dos cinco concelhos servidos pelo Hospital de Vila Franca de Xira defenderam no parlamento a reabertura da urgência obstétrica da unidade, encerrada recentemente. Alegam desigualdades no acesso a cuidados de saúde na região.
A audiência ocorreu na Comissão de Saúde da Assembleia da República, no âmbito da petição Pelo manutenção e melhoria da urgência obstétrica do Hospital de Vila Franca de Xira. A área de influência cobre Vila Franca de Xira, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja e Benavente.
O encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia obrigou utentes a serem encaminhadas para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures. Os municípios mencionados apresentam distâncias superiores a 50 quilómetros, com tempos de deslocação que podem ultrapassar as duas horas e meia em transportes públicos.
Deslocações e impactos
O presidente da Câmara de Alenquer, João Nicolau, classificou o encerramento como retrocesso do Serviço Nacional de Saúde, apontando impactos numa população acima de 300 mil pessoas. O autarca destacou a necessidade de resposta eficaz face às dificuldades logísticas locais.
O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, alertou para o risco de o encerramento permanente afetar o conjunto do serviço de ginecologia e obstetrícia da unidade. Ressalvou que fechar urgências não resolve os problemas do serviço.
Desde janeiro, dos 107 partos urgentes com intervenção de bombeiros na região, apenas cerca de 60% seguiram para o Beatriz Ângelo. Os restantes foram encaminhados para Maternidade Alfredo da Costa, Santa Maria ou Santarém, sugerindo que a concentração em Loures nem sempre funciona na prática.
Durante a sessão, deputados de várias bancadas questionaram impactos e alternativas. A deputada do PSD defendeu respostas seguras e próximas, desde que haja equipas completas. Deputadas do Livre e PCP criticaram a concentração de serviços e o aumento de desigualdades.
O relatório da petição seguirá para discussão em plenário. Enquanto a urgência no HVFX permanece encerrada, o Hospital de Vila Franca de Xira mantém a maternidade para partos programados e consultas de ginecologia e obstetrícia para doença aguda não urgente.
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