- A probabilidade de ter doença crónica entre quem tem maiores dificuldades económicas quase duplicou, passando de 26% em 2017 para 49% em 2025.
- O aumento deve-se sobretudo ao agravamento dentro dos próprios grupos etários (71%), não apenas ao envelhecimento da população (29%).
- A prevalência de doentes crónicos subiu de 28% para 36% entre 2017 e 2025, e a multimorbilidade chegou a 19%.
- A morbilidade está a expandir‑se ao longo de todo o ciclo de vida adulto, com formas mais complexas que exigem respostas integradas do sistema de saúde.
- A desigualdade registada é relevante: em 2025, quem tem maiores dificuldades económicas tinha 23,5 pontos percentuais mais probabilidade de adoecer, com a diferença na multimorbilidade a chegar a 27 pontos percentuais.
A doença crónica em Portugal cresce e começa a manifestar-se mais cedo, com um impacto desproporcional nos grupos mais desfavorecidos. A conclusão é de uma investigação apresentada hoje, desenvolvida pela Nova SBE, com participação de Carolina Santos e Pedro Pita Barros, detentor da Cátedra BPI | Fundação la Caixa em Economia da Saúde.
Os investigadores analisaram dados de um inquérito com mais de 8600 pessoas, comparando 2017 e 2025. A prevalência de doença crónica subiu de 26% para 49% entre quem enfrenta maiores dificuldades económicas. O estudo reforça que o agravamento ocorre, em grande parte, dentro dos próprios grupos etários.
A análise mostra também que a doença crónica é mais comum entre os idosos, com subida de 14 pontos percentuais no grupo 65-79 anos, mas verifica-se um crescimento significativo entre jovens: mais 8 pontos percentuais nos 15-29 anos e entre 45-64 anos.
Desigualdades económicas
Entre 2017 e 2025, a prevalência de doença crónica passou de 28% para 36%, e a multimorbilidade atingiu 19%, com um aumento de 10 pontos percentuais. O estudo identifica um agravamento ao longo de todo o ciclo de vida adulto, não apenas devido ao envelhecimento.
A investigação destaca que quem tem maiores privações económicas apresenta, em 2025, uma probabilidade 23,5 pontos percentuais superior de ter doença crónica face a indivíduos dos estratos mais ricos. A diferença na multimorbilidade elevou-se de 4 para 27 pontos percentuais no mesmo período.
Os resultados indicam perfis clínicos cada vez mais complexos, com mais doenças crónicas acumuladas e necessidade de acompanhamento contínuo, integrado e centrado no doente. O estudo aponta para respostas de saúde mais contínuas e coordenadas.
Acesso aos cuidados de saúde
Os autores defendem o reforço das políticas públicas, em especial na prevenção dirigida a populações vulneráveis, bem como o desenvolvimento de modelos de gestão integrada da doença. Medidas para reduzir barreiras de acesso, especialmente a medicação e aos Cuidados de Saúde Primários, são enfatizadas.
A equipa de investigadores sublinha ainda a necessidade de enfrentar as desigualdades em saúde, respondendo tanto ao envelhecimento populacional como aos fatores socioeconómicos que influenciam a ocorrência e a evolução das doenças crónicas.
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