- Os determinantes socioeconómicos são os principais fatores da saúde mental, sendo a pobreza, precariedade laboral e habitação cara os que mais pesam; a nível global existem mais de mil milhões de casos de ansiedade e depressão.
- Em Portugal, quase um em cada três trabalhadores vive sem segurança laboral; cerca de 9% vivem em pobreza, 10% entre quem tem contrato temporário e quase 28% entre quem trabalha por conta própria.
- A habitação cara e a desigualdade marcada entre sexos, classes e grupos persistem; o texto menciona também projetos de lei que visam revogar o direito à autodeterminação de género.
- O Estudo Nacional de Saúde 2025 aponta que 34,5% dos portugueses entre 18 e 64 anos experienciam sintomas de ansiedade, burnout, pânico ou depressão no último ano; as principais causas são preocupações financeiras (32%), stress laboral (26%) e solidão (10%), com as mulheres mais afetadas.
- A prevalência de problemas de saúde mental em Portugal é de cerca de 22% (acima da média da União Europeia); em 2025 foram vendidas 80 mil embalagens de psicofármacos; o país tem poucos psicólogos no Serviço Nacional de Saúde e desigualdades regionais, cabendo aos psicólogos agir para transformar este cenário.
A evidência científica aponta que os determinantes sociais e económicos pesam mais na saúde mental do que outros fatores. O foco está na pobreza, precariedade laboral e acesso desigual a cuidados de saúde, entre outros, que contribuem para um aumento mundial de ansiedade e depressão.
Em Portugal, a precariedade laboral está entre as mais altas da UE, com quase um terço dos trabalhadores sem segurança. A pobreza atinge cerca de 9% dos trabalhadores, subindo para mais de 10% entre temporários e a quase 28% entre trabalhadores independentes.
A habitação cara e a desigualdade acentuam o problema. A diferença entre rendimentos dos 10% mais ricos e dos 10% mais pobres aproxima-se de oito vezes, enquanto a discriminação e o estigma mantêm grupos minoritários em posição vulnerável.
O debate atual envolve um possível novo pacote laboral que poderá ampliar contratos a prazo, intensificar a desregulação de horários e enfraquecer a contratação coletiva, aumentando a insegurança para muitos trabalhadores.
O Estudo Nacional de Saúde 2025 revela que 34,5% dos portugueses entre 18 e 64 anos apresentaram sintomas de ansiedade, burnout, pânico ou depressão no último ano. Preocupações financeiras, stress laboral e solidão aparecem entre as principais causas.
As mulheres apresentam maior propensão a níveis elevados de stress, com 55% afetadas, contra 44% dos homens. Entre jovens, o risco é ainda mais elevado, com quase metade dos 18 aos 24 anos a enfrentar dificuldades de saúde mental nos últimos 12 meses.
A prevalência de burnout e ansiedade contribui para a carga global de doença em Portugal, estimada em 22%, uma das mais altas da UE. O país vendeu 80 mil embalagens de psicofármacos em 2025, indicador de consumo elevado.
Apesar do cenário, o país tem poucos profissionais de Saúde Mental no Serviço Nacional de Saúde, com desequilíbrios territoriais e tempos de espera elevados, o que dificulta o acesso aos cuidados necessários.
Para os psicólogos, a saúde mental depende do contexto socioeconómico. O trabalho envolve prevenção, intervenção e promoção, e está sujeito a instabilidade contratual, baixos salários e solidão profissional, que afetam a prática clínica.
A atuação profissional continua centrada na intervenção coletiva, não apenas no espaço de consulta individual. O papel do psicólogo envolve reconhecer as causas do sofrimento e desenvolver competências para agir sobre elas.
Este 1.º de Maio reforça a necessidade de transformar as condições de trabalho e vida para apoiar quem procura ajuda. A luta por condições dignas não é uma distinção de carreira, mas parte da missão científica e profissional dos psicólogos. Viva o Dia do Trabalhador.
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