- Em 2024 houve 3.429 episódios de violência contra profissionais do SNS, mais 848 do que em 2024 (2.581).
- A Ordem dos Médicos diz que esses números são apenas a ponta do iceberg e que a situação é mais grave.
- Muitos profissionais não denunciam e sentem que as queixas não mudam nada, com receio de retaliação ou de não serem apoiados pela instituição.
- O bastonário pede medidas mais duras para agressores e reforço de políticas de tolerância zero; a lei de 18 de abril do ano passado passou a classificar a maioria das agressões como crime público.
- No conjunto, violência psicológica representou mais de metade dos casos (2.067); violência física aumentou para 730 casos (2024: 578).
A Ordem dos Médicos (OM) afirmou que o número de episódios de violência contra profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no ano passado ascendeu a 3 429, mais 848 face a 2024. A entidade descreve a situação como extremamente grave, sugerindo que os dados representam apenas uma parte do problema.
Segundo a OM, os casos continuam a estar subnotificados, com muitos profissionais a não apresentar queixa por receio de que nada mude. O bastonário defende medidas mais severas para os agressores e oferece propostas ao Governo e à Assembleia da República.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Direção Executiva do SNS (DE-SNS) mostram que a violência psicológica representa mais da metade dos casos, com 2 067 ocorrências. A violência física soma 730 episódios, registando aumento em relação a 2024 (578).
Dados e perfil das agressões
A OM recorda que uma maioria das agressões ocorre em ambientes hospitalares, quando os profissionais trabalham sob pressão e com condições desafiantes. O órgão tem informação de que muitos episódios geram impactos na saúde dos trabalhadores, incluindo período de incapacidade.
No âmbito legislativo, a暴 violência contra profissionais da saúde passou a ser, na prática, crime público para estreitar o acompanhamento penal. A medida entrou em vigor no ano anterior, permitindo que autoridades iniciem processos sem depender de denúncia direta da vítima.
A OM aponta ainda que há uma sensação de impunidade entre os profissionais agredidos. Um exemplo citado envolve uma médica que ficou afastada por meses após uma agressão grave e voltou a enfrentar ameaças no local de trabalho.
Para enfrentar o problema, a organização solicita uma política de tolerância zero e maior capacitação dos trabalhadores para lidar com situações de violência, aliada a sanções reforçadas para quem comete agressões.
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