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Espanha acelera acreditação para atrair médicos estrangeiros

Espanha acelera a acreditação com 30.303 diplomas de medicina entre 65.319 homologações em 2025, mas alertam para falhas de planeamento e condições de trabalho

Mbaye Baacar Diouf, 33 anos, vestido com o seu uniforme de enfermeiro, caminha pelo hospital Basurto em Bilbau, no norte de Espanha, a 18 de novembro de 2020.
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  • Espanha validou 65.319 diplomas universitários estrangeiros em 2025, 76,3% de todas as resoluções, com 30.303 a correspondentes a diplomas de medicina.
  • O sistema de acreditação foi acelerado após a reforma administrativa de 2024, visando responder à procura elevada de médicos.
  • O stock de pedidos pendentes caiu de 122.890 para 72.337 entre outubro de 2024 e março de 2026, uma redução de 41,1%, e pela primeira vez desde 2014 foram resolvidos mais pedidos do que os registrados.
  • A maioria das aprovações vem da América Latina, destacando Colômbia (16.924), Venezuela, Cuba e Argentina, com facilidade de início por via telemática e sem residência em Espanha.
  • O presidente do Colégio Oficial de Médicos de Madrid diz que o problema não é a falta de médicos, mas as condições de trabalho e o planeamento; o recrutamento estrangeiro pode aliviar curto prazo, mas não resolve o desafio estrutural.

O governo espanhol acelera o processo de acreditação de diplomas médicos estrangeiros para responder à procura no SNS. Em 2025, a validação de diplomas estrangeiros totalizou 65.319, sendo 30.303 de medicina, números recordes que colocam o setor médico na linha da frente da reforma administrativa.

A medida surge num contexto de aumento da procura por profissionais e de uma mudança administrativa implementada em 2024. Os dados oficiais indicam que 79,7% das validações em profissões regulamentadas são médicas, superior a Enfermagem e outras áreas.

Conjunto de números e estratégia governamental

O Ministério do Ciência, Inovação e Universidades destaca que a redução de pendências é expressiva: entre outubro de 2024 e março de 2026, o stock de pedidos caiu de 122.890 para 72.337, uma diminuição de 41,1%. Pela primeira vez desde 2014, há mais processos resolvidos que recebidos.

Vozes do setor e questões de planeamento

Para Manuel Martínez-Sellés, presidente do ICOMEM, o problema não é apenas o número de médicos, mas as condições de trabalho. O envelhecimento populacional e o aumento de doenças crónicas elevam a procura, enquanto a formação interna não acompanha o ritmo.

Ponto de vista sobre o recrutamento externo

Martínez-Sellés afirma que a normalização não deve afastar reformas essenciais. O recrutamento internacional pode aliviar a escassez a curto prazo, especialmente em áreas críticas, mas não resolve o problema estrutural de forma duradoura.

Origem dos profissionais

O relatório ministerial indica que a maioria das aprovações vem de América Latina, com números relevantes para Colômbia, Venezuela, Cuba e Argentina. A língua comum e a possibilidade de iniciar processos telemáticos sem residência em Espanha ajudam a facilitar a integração.

Qualidade, padrões e futuro do sistema

O responsável do ICOMEM defende que a diversidade de formações é compensada por padrões de acreditação rigorosos. O objetivo é assegurar equivalência de competências sem generalizar a origem dos médicos, promovendo transparência e qualidade.

Perspetiva de quem chegou a Madrid

Profissionais estrangeiros relatam boa integração profissional e acolhimento entre colegas. Contudo, especialistas destacam que o problema é estrutural: falta de condições adequadas para trabalho, não apenas a escassez de médicos.

Perspetiva pública e próximos passos

O governo planeia uniformizar prazos legais até 2027 e criar um Gabinete Nacional de Reconhecimento Académico. O debate permanece: as homologações respondem a uma necessidade imediata ou exigem uma reforma profunda do planeamento e das condições laborais?

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