- Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que mais de 840 mil pessoas morrem por ano devido a riscos psicossociais no trabalho, como longas jornadas, insegurança laboral e assédio.
- Os riscos estão ligados principalmente a doenças cardiovasculares e a perturbações mentais, incluindo o suicídio, com cerca de 45 milhões de DALYs perdidos anualmente.
- Na Europa, são contabilizadas 112.333 mortes, quase seis milhões de DALYs e uma perda de 1,43% do PIB, com depressão e ansiedade entre as condições mais comuns.
- Trabalhadores com jornadas superiores a 48 horas por semana representam cerca de 35% a nível mundial; jornadas de 55 horas ou mais aumentam o risco de acidente vascular cerebral e doença cardíaca.
- A OIT recomenda redesenhar o trabalho, gerir a carga de trabalho, clarificar funções e horários, e oferecer apoio rápido e não estigmatizante, incluindo ajustamentos temporários de tarefas quando necessário.
Um relatório recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) conclui que os riscos psicossociais no trabalho causam mais de 840 mil mortes por ano, principalmente por doenças cardiovasculares e perturbações da saúde mental. Horários prolongados, insegurança laboral e assédio aparecem entre as principais causas. A depressão e a ansiedade destacam-se como fatores que agravam a perda de dias de trabalho.
O documento identifica o peso destes riscos na saúde global, estimando uma perda de quase 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade (DALY) anualmente. O impacto económico global chega a 1,37% do PIB mundial, com a Europa sozinha a registar cerca de 112 mil mortes, quase seis milhões de DALY e uma perda de 1,43% do PIB.
Segundo a OIT, os horários de trabalho acima de 48 horas, o bullying, o stress ocupacional, o desequilíbrio entre esforço e recompensa e a insegurança no emprego são os principais fatores de dano à saúde. A organização alerta para a persistência de jornadas longas a nível mundial, associadas a maior incidência de eventos cardiovasculares.
A OMS, citada na análise, aponta que depressão e ansiedade correspondem a cerca de 12 mil milhões de dias de trabalho perdidos por ano, reforçando o peso das perturbações mentais no ambiente laboral. Entre as consequências, destacam-se também problemas de sono, fadiga e esgotamento.
O relatório aponta ainda que as dificuldades de saúde mental podem levar a comportamentos de adaptação pouco saudáveis, como tabaco, álcool, alimentação desequilibrada e sedentarismo. Tais hábitos agravam condições como obesidade e hipertensão.
O que pode ser feito
A OIT defende que a digitalização, a IA, o teletrabalho e novas formas de emprego exigem identificação de riscos e medidas de prevenção. As estratégias devem abordar o desenho, organização e gestão do trabalho, carga, funções e horários.
Quando a prevenção é insuficiente, recomenda-se apoio atempado e não estigmatizante, incluindo serviços de apoio, ajustamentos temporários das tarefas, intervenção da saúde no trabalho e processos justos de regresso à atividade.
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