- O snus, pequenas bolsas de nicotina colocadas entre a gengiva e o lábio, chegou a Portugal e ganha terreno entre jovens como alternativa ao cigarro.
- Apesar de discreto, a nicotina é altamente viciante e pode ser absorvida pela mucosa oral, aumentando o risco de dependência.
- A nicotina pode afetar o sistema cardiovascular, elevando o risco de hipertensão, doença cardíaca isquémica e acidente vascular cerebral; não é uma alternativa saudável.
- O uso repetido pode provocar irritação gengival, retração, sensibilidade dentária, cáries na raiz e lesões na mucosa, com preocupação sobre lesões pré-malignas.
- Há incerteza sobre o risco de cancro oral, especialmente em versões sem tabaco; o desporto tem impulsionado o consumo entre jovens, mas não há evidência de melhoria de performance.
O snus chegou a Portugal apresentando-se como uma alternativa “segura” ao tabaco. Pequenas bolsas de nicotina colocadas entre gengiva e lábio tornam-no discreto, sem fumo nem cheiro, o que atrai sobretudo jovens em ambientes sociais e desportivos.
Especialistas afirmam que a perceção de baixo risco atrai os utilizadores. A nicotina é altamente viciante e pode ser absorvida rapidamente pela mucosa oral, potenciando a dependência, mesmo sem combustão.
A pneumologista Amélia Feliciano, do Grupo Trofa Saúde, sublinha que o snus tem ganho popularidade na Europa e na América. O efeito é uma sensação de consumo “ leve”, mas a dependência persiste.
Segundo a médica, a nicotina não só estimula como afeta o sistema cardiovascular. O uso regular pode aumentar o risco de hipertensão, doença cardíaca isquémica e acidente vascular.
O dentista Pedro Ferreira Lopes, da Prime Dental Clinic, aponta que o contacto repetido com a gengiva pode causar irritação, ardor e vermelhidão. O problema tende a perpetuar-se se o local de aplicação for repetido.
Com uso contínuo surgem sinais na mucosa oral: irritação, feridas e alterações esbranquiçadas. A retração gengival e a maior sensibilidade dentária são outros desfechos frequentes, com maior risco de cáries na raiz.
Há também preocupações com lesões mucosas e possíveis lesões pré-malignas, especialmente em versões com tabaco. Nos snus de nicotina sem tabaco, os dados de longo prazo ainda são limitados, mantendo a prudência.
A relação com o cancro oral permanece incerta. Em snus com tabaco, existem indicações de maior risco de lesões pré-malignas; nos produtos sem tabaco, faltam estudos robustos a longo prazo.
A prática desportiva costuma impulsionar a adesão ao snus, sobretudo entre atletas que valorizam a ausência de cheiro. Jogadores utilizam-no antes ou depois de jogos, o que influencia a adoção entre jovens.
A pneumologista alerta que não há evidência de melhoria desportiva real. O efeito é temporário e pode criar uma dependência, sem ganhos comprovados de desempenho.
Em síntese, o snus cresce pela imagem de consumo “limpo” e moderno. Contudo, o risco está na normalização da nicotina, que pode evoluir para um hábito difícil de abandonar.
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