- A doença de Parkinson é crónica e o impacto vai além dos sintomas físicos, envolvendo o bem-estar emocional e as relações familiares.
- A desmoralização, sentimento de impotência e perda de sentido afecta mais de metade dos doentes e pode reduzir a adesão ao tratamento.
- O apoio psicológico precoce é visto como essencial, não apenas como resposta a sintomas, mas como parte integrante do cuidado.
- Foi desenvolvido e implementado um ensaio clínico multicêntrico que testa abordagens combinadas de psicoterapia estruturada com substâncias terapêuticas inovadoras.
- Na prática clínica, pretende-se reconstruir sentido, identidade e qualidade de vida, com intervenções breves e integradas entre psicólogos, médicos e outros profissionais de saúde.
A doença de Parkinson é crónica e afecta milhares de portugueses, que vivem com ela durante décadas. Hoje, a medicina permite manter uma boa qualidade de vida ajustando tratamentos e controlando os sintomas. Ainda assim, muitos pacientes recorrem ao apoio psicológico apenas quando surgem sinais físicos insistentes.
Muitos doentes reportam dificuldades emocionais que acompanham a doença, como irritabilidade, retraimento ou perda de interesse. Famílias e profissionais de saúde destacam a importância de um diálogo estruturado que envolva doentes, cuidadores e médicos para apoiar a comunicação e o alinhamento de estratégias terapêuticas.
Entre os relatos comuns aparecem quedas na participação social, redução de mobilidade e dificuldades na vida quotidiana. Mesmo com tratamentos como Levodopa ou estimulação cerebral, há um grupo com incapacidades motoras e não motoras que exigem apoio adicional para lidar com o impacto emocional e a perda de autonomia.
Desmoralização: o que é e porquê importa
A desmoralização descreve um estado de impotência e desesperança perante a progressão da doença, afetando mais da metade dos doentes. Este sofrimento compromete adesão a tratamento, reabilitação e qualidade de vida, indo além dos sintomas físicos.
Pode confundir-se com depressão, o que leva a abordagens centradas em medicação. Quando o sofrimento é mais existencial, a resposta adequada envolve diálogo e psicoterapia, embora a integração na prática clínica possa exigir tempo e recursos.
Ensaio clínico multicêntrico
Para responder a esta necessidade, investigadores desenvolveram e implementaram um ensaio clínico multicêntrico que testa abordagens combinadas de apoio psicoterapêutico estruturado com estratégias terapêuticas inovadoras. As respostas devem responder às necessidades reais dos pacientes e ser aplicáveis nos contextos habituais de cuidado.
Na prática clínica, psicólogos planeiam intervenções psicoterapêuticas breves, ajustadas à realidade de doenças degenerativas. O objetivo não é negar a gravidade, mas reconstruir sentido, identidade e uma forma de viver com a doença.
Este movimento envolve equipas multidisciplinares — psicólogos, neurologistas, psiquiatras, enfermeiros e fisioterapeutas — para facilitar o acesso precoce à psicologia. O foco é tratar o sofrimento associado à doença, não apenas o corpo, com a meta de permitir que os pacientes mantenham significado, ligação social e liberdade, mesmo com limitações.
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