- Em Portugal, estima-se que cerca de 20 mil pessoas vivam com a doença, com mais de 1.800 novos casos por ano.
- A doença afeta mais de 2.000 jovens adultos no país, levando a redução de horário de trabalho e a uma vida mais imprevisível.
- Marco Serrabulho, diagnosticado aos 35 anos, deixou a atividade de professor e diz que nem sempre cumpre compromissos devido à imprevisibilidade provocada pela medicação.
- Rita Botelho, diagnosticada aos 39, descreve rigidez, movimentos lentos e insónias, com despesas mensais superiores a 100 euros em medicamentos.
- Carmo Bastos, presidenta da Young Parkies Portugal, foi diagnosticada aos 44 e destaca que a doença precoce atinge pessoas no auge da vida; a associação tem mais de quatrocentos associados.
Portugal enfrenta um desafio crescente com a doença de Parkinson, especialmente entre jovens. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas vivam com a doença no país, com mais de 1.800 novos casos por ano. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre antes dos 50 anos.
A doença é neurodegenerativa, crónica e incurável. Em Portugal, mais de 2.000 adultos jovens convivem com Parkinson, o que torna a vida diária imprevisível e pode obrigar a reduzir o horário de trabalho.
No Dia Mundial da Doença de Parkinson, que se assinala neste sábado, foram recolhidos testemunhos de pacientes diagnosticados durante a vida ativa. Alguns relatam tremores, rigidez muscular e movimentos lentos que alteram rotinas.
Impacto na vida laboral
Marco Serrabulho, diagnosticado aos 35 anos, deixou a docência na área de educação visual e tecnológica. Hoje mantém funções na escola em tarefas informáticas, mas diz que a imprevisibilidade do dia a dia persiste.
Destaca também que, noutras alturas, o médico pode indicar que a medicação ainda não fez efeito, deixando-o sem condições de cumprir compromissos. O controlo da doença depende muito da resposta aos fármacos.
Para manter o controlo da condição, o recorrente começou a praticar corrida, que o ajuda a manter a doença sob controlo, explica. A prática física tem sido uma parte central da gestão diária.
Rita Botelho, com 44 anos e diagnosticada aos 39, refere movimentos lentos e rigidez, com insónias. Conta episódios em que não conseguiu levar a filha à escola, por descoordenação ou cansaço extremo.
A proprietária de uma marca de joias relata também que não pode trabalhar tantas horas como antes e que os medicamentos representam um custo mensal relevante, mesmo com comparticipação. O planeamento diário é essencial.
Apoio e perspetivas
Carmo Bastos, presidente da Young Parkies Portugal (YPP) e diagnosticada aos 44, reforça que a doença precoce ocorre no auge da vida familiar e profissional. Hoje tem 50 anos e trabalha numa instituição bancária, tendo reduzido o papel de liderança para minimizar stress.
A líder da associação menciona que a lentidão de movimentos e a rigidez são sintomas comuns na forma precoce da doença, geralmente mais presentes do que o tremor. A YPP já junta mais de 400 associados.
Segundo Bastos, entre 2.000 e 3.000 pessoas terão Parkinson precoce em Portugal, com o diagnóstico ocorrendo usualmente entre os 30 e 50 anos. O impacto abrange família, trabalho e qualidade de vida.
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