- Um jovem de 21 anos, natural da Navarra, faleceu em agosto de 2024 após consumo de nitazenos, a primeira morte em Espanha ligada a esta substância psicoativa.
- O caso, relatado pelo Hospital Universitário de Navarra, descreve entrada com baixo nível de consciência e hipertensão após inalação de nitazenos fornecidos por um amigo; foram administradas três doses de naloxona na ambulância e mais no hospital devido a uma falha respiratória.
- Nas análises de 28 de julho não foram detetados opioides, mas o consumo ficou comprovado pela admissão do paciente e do amigo; os testes disponíveis não conseguiam detetar nitazenos.
- Quatro horas após a admissão, o paciente solicitou alta voluntária e abandonou o hospital; cinco dias depois foi encontrado morto em casa, com indícios de uso de drogas por via nasal, e o caso foi arquivado pelo tribunal.
- Especialistas alertam para o elevado risco desta substância, cuja faixa entre dose eficaz e letal é muito estreita; a dificuldade de detecção e o crescimento de mortes associadas têm levado países europeus a considerar os nitazenos uma ameaça à saúde pública.
O que aconteceu aconteceu a um jovem de 21 anos natural de Navarra, que morreu em Espanha após consumir nitazenos. O caso ocorreu na madrugada de 28 de julho de 2024, em Navarra, após a administração nasal de uma dose indeterminada fornecida por um amigo. Na ambulância, foram usadas três doses de naloxona para tentar reverter a overdose; no hospital, foi necessária nova naloxona devido a uma falha respiratória difícil de reverter.
Este é o primeiro óbito em Espanha relacionado com nitazenos, uma substância analisada no relatório “Nitazenos: uma ameaça cada vez mais próxima”, desenvolvido pelo Grupo de Toxicologia Clínica do Serviço de Urgências do Hospital Universitário de Navarra. O estudo foi tornada público pela imprensa espanhola, com base no estudo clínico do caso.
Segundo o relatório, o jovem já tinha histórico de hospitalização por outra overdose meses antes. Em análises realizadas na altura, foram detetadas várias drogas, mas não opioides, porque os testes disponíveis não conseguiam detectar nitazenos. O quadro clínico permitiu confirmar o consumo da substância, bem como a confissão do paciente e do amigo.
Quatro horas após a entrada nas urgências, o jovem pediu alta voluntária e abandonou o hospital. Cinco dias depois, a 2 de agosto, foi encontrado morto em casa, com indícios de consumo de drogas por via nasal. O caso foi levado a tribunal e posteriormente arquivado. No local, foram encontrados opioides e benzodiazepínicos entre outros fármacos, que atuam como depressores do sistema nervoso central.
Dificuldades de detecção e potencia
Especialistas destacam a estreita margem entre dose terapêutica e dose mortal para nitazenos, o que torna a substância extremamente perigosa. A avaliação dos médicos aponta para uma possível “roleta russa” nos efeitos dessa droga.
Perigo na Europa
O aumento de preocupação com nitazenos é partilhado por vários países europeus. Percebe-se um risco elevado, sobretudo quando usadas para adulterar outras drogas. A Estónia registou 57 mortes associadas a nitazenos em 2023, sinal de uma tendência preocupante na região.
Perspectivas e impacto
Em Portugal, especialistas destacam que estes organoides representam uma ameaça emergente, com impactos na saúde pública e nos serviços de emergência. Observatórios europeus sublinham a necessidade de melhoria de deteção toxicológica e de políticas de resposta rápida a overdoses.
Entre na conversa da comunidade