O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) alerta para retrocessos no acesso das mulheres aos cuidados de saúde, destacando fragilidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O anúncio foi feito na véspera do Dia Mundial da Saúde, em comunicado público.
Segundo o MDM, as desigualdades e as assimetrias regionais em saúde persistem e têm piorado, resultado de suborçamentação e desinvestimento. A organização aponta impactos diretos na saúde da mulher, com efeitos em várias áreas do SNS.
O movimento critica o acesso reduzido a cuidados obstétricos, encerros de urgência e maior lista de espera para técnicas de reprodução assistida (PMA) e para a interrupção voluntária da gravidez (IVG). Indica ainda mortes associadas a doenças do aparelho circulatório e a doenças cerebrovasculares entre as mulheres.
Tempos de espera acima dos limites legais têm sido registados em consultas hospitalares, e as cirurgias cardíacas graves também apresentam tempos superiores ao desejável, denuncia o MDM. O grupo sublinha a necessidade de mudar políticas públicas de saúde para atender às especificidades femininas.
Medidas propostas
O MDM defende maior humanização e equidade no acesso a prevenção, acompanhamento e tratamento, bem como investimento nos profissionais de saúde, incluindo condições de trabalho, remuneração e formação em Saúde Sexual e Reprodutiva.
Propõe o cumprimento efetivo da legislação que regula a IVG, reforço dos cuidados primários para acesso rápido a planeamento familiar e contraceção, além de educação sexual nas escolas que contemple todas as dimensões da sexualidade.
O movimento defende ainda olhar específico para adolescentes, imigrantes e pessoas em situação de pobreza extrema, reiterando que a saúde da mulher é uma questão pública com impacto social e económico.
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