Hospitais sem stock obrigam utentes a percorrer centenas de quilómetros para levantar medicação, denunciam doentes e a associação ANDAR. A falta de stock tem levado a deslocações semanais significativas.
Um caso extremo envolve uma utente da Lourinhã, seguida no Hospital Beatriz Ângelo. Embora tenha autorização para levantar medicação de três em três meses, é obrigada a vir da Lourinhã todas as semanas para levantar uma caneta de medicação que dura apenas uma semana.
O hospital recorreu a empréstimos de outras unidades para manter o tratamento, tendo pedido a uma outra instituição uma caixa de quatro canetas para servir a utente. A situação evidencia falhas de stock entre unidades de saúde.
Outra situação reportada aponta para o Hospital Garcia de Orta, onde foi negada a entrega de duas embalagens de um fármaco com duração de 28 dias cada. A semivida de 24 horas exige que o doente mantenha uma reserva para evitar falhas terapêuticas.
A RTP já tinha alertado, na semana anterior, para hospitais a recorrer a empréstimos entre unidades para não interromper tratamentos. A prática, embora reiterada, não é comum ser aceitável a longo prazo.
Um despacho de agosto de 2024 previa que os medicamentos em regime de proximidade cubrissem dois meses, com efeitos a partir de 1 de janeiro de 2025. A implementação tem enfrentado divergências entre hospitalares e comissões de farmácia.
A ANDAR sustenta que as regras são aplicadas de forma desigual consoante o hospital e as comissões, dificultando a prescrição fiel pelo médico. A associação também aponta para a impossibilidade de a medicação de artrite reumatóide estar na farmácia comunitária.
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