Cabo Verde está prestes a realizar o seu primeiro transplante renal, previsto para esta terça-feira. O procedimento, idealizado por médicos cabo-verdianos e com participação de um médico português, visa oferecer aos doentes uma nova vida. A iniciativa surge após longos anos de entraves burocráticos e recursos limitados.
A paciente Cristiana, uma menina cabo-verdiana, recebe hemodiálise três vezes por semana. Cada sessão envolve duas punções e cerca de quatro horas, limitando-lhe atividades como estudo e lazer durante o tratamento.
O médico português Norton de Matos, hoje com 77 anos, tem estado envolvido desde 2015 no projeto de transplantação renal no arquipélago. Numa visita, perguntou se Cristiana teria irmãos compatíveis; surgiu então a possibilidade de quatro irmãos disponíveis para doar um rim.
Contexto e perspetivas
Este caso marca o fim de uma fase de indefinição regulatória em Cabo Verde, que até há poucos anos não dispunha de uma lei específica para transplantes. A decisão de avançar com o transplante foi consolidada ao longo de vários anos de trabalho conjunto entre profissionais de saúde portugueses e cabo-verdianos.
Espera-se que o transplante traga melhoria substancial na qualidade de vida dos pacientes próximos da diálise, com potencial aumento da sobrevivência. O desfecho depende de avaliação clínica, compatibilidade entre doadores e condições hospitalares adequadas.
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