- Dois em cada três médicos que não ingressaram na formação especializada em 2025 justificaram a decisão por não terem conseguido entrar na especialidade desejada.
- O inquérito, aplicado a 507 médicos que concluíram a formação geral do Internato Médico, teve resposta de 254 profissionais; mais de oitenta por cento pretende repetir a Prova Nacional de Acesso para melhorar a classificação.
- A maior atratividade tem vindo das áreas hospitalares, principalmente cirúrgicas, em contraste com Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública.
- A ACSS alerta que, a médio prazo, a menor atratividade por Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública pode agravar dificuldades de recrutamento e fixação nestas áreas estratégicas para o Serviço Nacional de Saúde.
- Entre as especialidades mais referidas estão Pediatria, Ortopedia, Cirurgia Geral, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia; houve ainda uma percentagem relevante de não resposta (cerca de 20,8%) e de indecisão (6,4%).
Dois em cada três médicos que não ingressaram na formação especializada em 2025 não conseguiram entrar na especialidade que desejavam, aponta um inquérito da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). O estudo foi aplicado a médicos que concluíram a formação geral do Internato Médico.
Entre os fatores, a impossibilidade de ficar na unidade de saúde pretendida surge como um dos mais relevantes. Já os aspectos económicos aparecem de forma menos expressiva. O acesso à especialidade continua a depender, sobretudo, da colocação desejada.
Aplicado a 507 médicos, o inquérito teve resposta de 254. Mais de 80% dos inquiridos pretende repetir a Prova Nacional de Acesso para melhorar a classificação e tentar a especialidade pretendida, adiando o início da formação.
A lista de especialidades mais referidas aponta para maior atratividade por áreas hospitalares, especialmente cirúrgicas, em detrimento de Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública. Pediatria, Ortopedia, Cirurgia Geral, Anestesiologia e Ginecologia/Obstetrícia sobressaem.
A ACSS observa ainda uma elevada proporção de não resposta (20,8%) e de indecisão (6,4%) quanto à especialidade escolhida, sugerindo reavaliação de percurso por parte dos médicos jovens.
Novo grupo de trabalho ad hoc
Em comunicado, a ACSS informa que, em fevereiro, reuniu-se com a Ordem dos Médicos para criar sinergias num estudo mais aprofundado. Ficou acordada a constituição de um grupo de trabalho conjunto.
Este grupo vai identificar constrangimentos estruturais no modelo de acesso à formação especializada. O objetivo é propor medidas para aumentar a previsibilidade e a eficiência do sistema formativo.
O grupo incluirá elementos do Conselho Nacional do Internato Médico. A ACSS alerta que descontinuidade no acesso à especialização compromete a previsibilidade do processo formativo e pode agravar desigualdades na distribuição de especialistas.
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