- A associação Novamente alertou para a necessidade de uma rede de respostas na comunidade para vítimas de danos cerebrais adquiridos (DCA), afirmando que a reabilitação se torna um processo difícil e solitário.
- Dados divulgados indicam que 46% dos casos de DCA resultam de acidentes de viação, 23,3% de quedas e 11,9% de acidente vascular cerebral (AVC).
- Aproximadamente metade dos casos envolve pessoas com idades entre 30 e 50 anos, com impacto no emprego, na família e no convívio com amigos.
- Em janeiro deste ano, mais de 50% dos novos casos atendidos pela Novamente tiveram origem em AVC.
- A Novamente já apoiou mais de 3.000 beneficiários e afirma que, por cada euro investido, o retorno social e económico é de quase quatro euros, além de denunciar a falta de dados públicos sobre DCA no setor privado de saúde.
A associação Novamente, que apoia vítimas de danos cerebrais adquiridos (DCA), alertou hoje para a falta de uma rede de respostas na comunidade. A ausência de um percurso integrado de reabilitação dificulta o processo de recuperação das pessoas afetadas e das suas famílias.
A diretora executiva Vera Bonvalot sublinha que é preciso definir um estatuto funcional para o gestor de família do DCA e reforçar a rede de respostas públicas. Em comunicado, a Novamente classifica a situação como um problema de saúde pública que exige intervenção estruturada.
Origem dos casos e perfis
Ontem, a associação divulgou dados de contactos com pessoas acompanhadas desde 2010. Cerca de 46% dos casos de DCA resultam de acidentes de viação, 23,3% de quedas e 11,9% de AVC. A maior parte das situações envolve adultos entre os 30 e os 50 anos.
A organização realça que estas situações transformam a vida dos atingidos, com impacto no emprego, na vida familiar e nas relações sociais. Contudo, observa-se uma mudança na evolução, com o AVC a ganhar peso entre as causas.
Crescimento do AVC e impacto emocional
Só em janeiro, mais de metade dos novos casos atendidos pela Novamente teve origem em AVC. A diretora executiva descreve a realidade como uma crise silenciosa: pessoas ativas, com rotinas e sonhos, de repente confrontadas com a DCA.
O estudo enfatiza que o problema não é apenas médico, mas social. A organização defende a prevenção e a garantia de encaminhamentos para uma vida com qualidade, junto de famílias afetadas.
Retorno económico e lacunas de dados
Desde a sua criação, a Novamente já apoiou mais de 3.000 beneficiários, incluindo cuidadores. A associação sustenta que o investimento público resulta num retorno social e económico próximo de quatro euros por cada euro investido, pela redução de custos para famílias e para o sistema de saúde.
Por outro lado, a Novamente aponta que o setor privado de saúde forma uma lacuna de informação: não há dados públicos ou relatórios regulares sobre casos de DCA atendidos por unidades privadas, devido à ausência de obrigação de reportar casos.
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