- O Sindicato dos Médicos do Norte denuncia pressão sobre internos de pediatria na ULS Matosinhos para realizar jornadas adicionais na Urgência Pediátrica Integrada do Porto, afectando formação e segurança das crianças.
- Segundo o SMN, os internos são escalados para atendimento referenciado, mesmo quando deviam cumprir estágios formativos noutras unidades.
- A administração da ULS Matosinhos afirma que as horas suplementares são residuais ou inexistentes e, se existem, são asseguradas por médicos especialistas, não por internos.
- A direção garante diálogo e nega imposições, e informa que vai reunir-se a curto prazo com os internos de pediatria para ouvir e corrigir o que for necessário.
- O sindicato alerta para desgaste no Serviço Nacional de Saúde e pede a cessação destas situações, supervisão adequada e cumprimento do programa de internato em pediatria.
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusa a Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos de pressionar internos da pediatria a realizar jornadas adicionais na Urgência Pediátrica Integrada do Porto (UPIP). A denúncia foi apresentada esta terça-feira.
Segundo o SMN, os internos estariam a ser usados para colmatar falhas de organização, mesmo quando deveriam cumprir estágios formativos noutras unidades. A denúncia aponta ainda para escalas da urgência e para atendimento pediátrico referenciado pela ULS.
A administração da ULS Matosinhos nega as alegações, assegurando que as horas extra são residuais ou inexistentes nas escalas da UPIP e do atendimento pediátrico referenciado, e que, quando existem, são asseguradas por médicos especialistas.
Resposta oficial
A administração revela que a prática do serviço de pediatria se baseia no diálogo, sem imposições, e que acompanha os internos ao longo do internato. Não há conhecimento de pressões assistenciais para médicos internos de Pediatria.
No esclarecimento enviado à Lusa, a direção clínica para os cuidados hospitalares indica que haverá uma reunião a curto prazo com os internos de pediatria para ouvir e corrigir eventuais questões, se necessário.
A denúncia do SMN aponta ainda para um clima de pressão e possível represália que levaria alguns internos a aceitar mais jornadas de urgência. O sindicato exige cessação imediata das situações, supervisão adequada e respeito pelos limites legais de trabalho.
Desdobramentos esperados
O SMN reforça a necessidade de garantir o cumprimento do programa de internato em pediatria e a correta gestão das escalas, para evitar desgaste profissional e assegurar a segurança das crianças atendidas. A ULS não anunciou novas medidas, limitando-se a confirmar a reunião com os internos.
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