- Um idoso de 74 anos com Alzheimer saiu da urgência do Hospital de Vila Franca de Xira em abril sem que a família fosse informada.
- A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) não encontrou indícios de infracção disciplinar pelos profissionais, mas identificou oportunidades de melhoria no circuito de gestão de pulseiras anti-fuga.
- Foi recomendado implementar pulseiras anti-fuga para evitar ausências não comunicadas de utentes com alterações cognitivas.
- O idoso foi encontrado horas depois, junto à vila de Arruda dos Vinhos, após ter percorrido mais de dezasseis quilómetros a pé.
- A IGAS abriu o processo de esclarecimento e a Administração da unidade assegurou que as medidas de segurança foram acolhidas, com identificação dos profissionais responsáveis pela implementação.
O Hospital de Vila Franca de Xira, na margem esquerda do Tejo, esteve envolvido num caso de fuga de um utente com Alzheimer, que saiu das urgências em início de abril. O idoso, acompanhado pela família, abandonou o Serviço de Observação sem aviso e foi encontrado horas depois junto à vila de Arruda dos Vinhos, após percorrer cerca de 16 quilómetros a pé.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um processo de esclarecimento. A avaliação concluiu que o relatório do inquérito interno do hospital esteve bem instruído, com evidências documentais e provas testemunhais suficientes, mas identificou oportunidades de melhoria no circuito de atribuição e gestão de pulseiras anti-fuga.
A conclusão da IGAS não identificou indícios de infracção disciplinar ou ilicitude por parte dos profissionais envolvidos. A administração da Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo informou ter aberto um inquérito próprio e afirmou que o utente foi localizado e regressou à observação no hospital.
Medidas recomendadas
A IGAS recomenda a implementação de pulseiras anti-fuga e o reforço do circuito de atribuição e gestão destas pulseiras, com cumprimento estrito pelos profissionais de saúde. A administração respondeu que as medidas foram acolhidas e já estão a ser implementadas.
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) tem acompanhado o tema, que em 2023 já gerou várias queixas sobre falhas na alta de doentes. Em 2024, a ERS alertou para a obrigatoriedade de garantirem o acompanhamento de utentes com deficiência, demências ou em fim de vida.
Casos semelhantes continuam a surgir, incluindo uma idosa de 84 anos em Oliveira de Azeméis que desapareceu das urgências, ainda sem resolução anunciada. As autoridades mantêm o foco na segurança e no acompanhamento de utentes com alterações cognitivas.
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