- A mãe com depressão e insónia lutou para que o filho recebesse uma avaliação psiquiátrica, numa casa com dificuldades financeiras e de acesso a serviços.
- O filho foi identificado com esquizofrenia, internado, acompanhado e medicado, com melhoria após tratamento.
- Três meses depois, a mãe recebeu diagnóstico de cancro do pulmão em estado avançado e faleceu antes de ver o filho medicado e estável.
- O caso evidencia a pressão sobre cuidadores informais em Portugal, maioritariamente mulheres, com média de 57 anos.
- Em Portugal, mais de 18 mil cuidadores informais reconhecidos; menos de cinco por cento têm acesso a descanso regular previsto no plano de intervenção.
A mãe descrita pela equipa clínica como alguém que lutou durante anos para que o filho recebesse avaliação e tratamento psiquiátrico acabou por morrer antes de ver o seu filho medicado e estabilizado. O caso, que já tinha ficado conhecido pela pressão diária sobre cuidadores informais em Portugal, ganhou novo impacto com o diagnóstico de cancro do pulmão em estágio avançado da própria mãe.
A história, relatada pelo psiquiatra Hugo Canas Simião, mostra uma família marcada pela pobreza, com necessidades básicas não asseguradas e dificuldades de acesso a serviços de saúde. O rapaz, inicialmente internado por diagnóstico de esquizofrenia, foi acompanhado e medicado, mas a evolução clínica da mãe foi fatal.
Em outubro, o Instituto da Segurança Social indicou que entre os cuidadores informais reconhecidos há mais de 18 mil casos em Portugal, com menos de 5% a beneficiar de descanso regular previsto num plano de intervenção. O documento serve para estruturar apoio, formação, saúde e subsídio de apoio.
Dados demográficos apontam que os cuidadores são sobretudo mulheres (mais de 80%), com idade média de 57 anos, que cuidam de familiares próximos como pais, filhos ou cônjuges. A situação da mãe desta história ilustra o peso mental e físico que recai sobre quem presta cuidados em casa.
Realidades de quem cuida
A reportagem recorda ainda a realidade de quem cuida sem redes formais de apoio, destacando o papel de cuidadores informais na sociedade portuguesa. A história é retratada com rigor para evidenciar o impacto emocional e financeiro dessa responsabilidade.
A equipa envolvida afirma que a narrativa ajuda a sensibilizar para a necessidade de serviços de apoio contínuos, incluindo acompanhamento de saúde mental para cuidadores. O objetivo é evidenciar a importância de redes de suporte estáveis.
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