- A 3.ª Gala Michelin Portugal realizou-se no Funchal, com anuncio de uma nova 2 estrelas (Fifty Seconds), dez novas 1 estrelas, 34 Recomendados e 1 estrela Verde.
- Henrique Sá Pessoa manteve as duas estrelas no seu novo restaurante, levantando a discussão sobre se as estrelas são do chef ou do restaurante.
- Esporão mantém a estrela, apesar da saída do chef Carlos Teixeira e de mudança de conceito para uma oferta mais acessível.
- Açores continuam sem estrelas; Porto e Norte do país ganham destaque, com Algarve a registar oito novos Recomendados.
- A atribuição de três estrelas permanece incerta, exigindo várias visitas e unanimidade entre inspectores; perceção de que o Guia de Portugal não garante automaticamente três estrelas.
A 3.ª Gala Michelin Portugal decorreu na terça-feira, no Funchal, com a entrega de duas estrelas novas ao Fifty Seconds, dez novas 1 estrela, 34 Recomendados e uma estrela Verde. A cerimónia confirmou mudanças significativas no panorama gastronómico nacional, depois de uma noite de várias leituras e bastidores.
A Michelin não divulga detalhes sobre as decisões; o processo é conduzido por inspetores que não falam publicamente. Depois de uma edição marcada por ansiedades, a gala de 2026 reforça o papel do Guia na visibilidade dos restaurantes em Portugal.
A estrela é do chef? O caso Sá Pessoa
A decisão da Michelin em manter as duas estrelas de Sá Pessoa no novo espaço gerou debate sobre se as estrelas correspondem ao chef ou ao restaurante. Embora o Alma tenha encerrado, a Michelin confirmou a atribuição ao novo projeto do chef. A empresa não comenta a dinâmica entre restaurante, equipa e menu.
O que muda para o conceito do restaurante permanece em aberto. A gala não esclarece a quem pertencem as estrelas, apenas confirma a manutenção do nível de qualidade na nova casa do chef, numa leitura que pode ter implicações para casos semelhantes no futuro.
E o caso Esporão?
Carlos Teixeira anunciou a saída do Esporão, com planos de alterar o conceito para uma oferta mais acessível. Na gala, porém, manteve-se a estrela já atribuída, sugerindo que a Michelin aposta na continuidade da qualidade apesar das mudanças de conceito. O Esporão informou previamente o Guia sobre a adaptação.
A manutenção da estrela indica que o restaurante pretende preservar o padrão de excelência, ainda que o conceito passe por alterações. A relação entre mudanças de conceito e prémios do Guia continua a ser tema de análise no sector.
As estrelas estão bem distribuídas pelo país?
Os Açores continuam fora, com debate quanto à waited de entrada de restaurantes da região. Alguns bastidores sugerem que não há restaurantes com o nível para os Recomendados, ou que os Açores não foram prioritários para este lote. Fora os Açores, o mapa revela um idêntico dinamismo noutras regiões.
No Norte, especialmente no Porto, houve destaque com várias novidades, e o Algarve registou oito novos Recomendados, incluindo dois em Almancil. O Intemporal, em Paço de Arcos, entrou para os Recomendados sem o envolvimento do fundador Miguel Laffan, que saiu do projeto.
A terceira estrela ainda é uma obsessão nacional?
O tema persiste, mas parece ter ganho consistência: três estrelas exigem visitas repetidas e unanimidade entre inspectores. A existência de um guia separado para Portugal não garante automaticamente uma subida ao patamar máximo. A paciência continua a ser parte da avaliação.
A Michelin continua a ser muito importante?
A presença de chefs no Funchal e a relevância das estrelas demonstram a importância do Guia para a viabilidade de negócios na restauração. Contudo, o assédio da pressão pode afetar a saúde mental de equipas e promover uma possível uniformização de estilos. O equilíbrio entre identidade e exigência permanece crucial.
Houve outros temas dominantes na Gala?
Sim. Surgiu a notícia sobre alegações de violência no Noma, envolvendo René Redzepi, o que tem provocado choque na comunidade gastronómica. Embora haja cautela na divulgação de depoimentos passados, alguns veem este caso como possível ponto de viragem para políticas de conduta no setor. A Michelin ainda não articulou posição pública sobre este assunto.
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