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Energias renováveis ajudam a mitigar crise energética ligada à guerra no Irão

Energia solar e eólica compensam a crise energética, impedindo o regresso do carvão, pese a custos logísticos e ao bloqueio no Estreito de Ormuz

O nevoeiro flutua sobre a aldeia de Stetten, na Alemanha, terça-feira, 19 de março de 2024, com uma central de energia eólica ao fundo.
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  • O previsto regresso do carvão não se confirmou: produção global de eletricidade a partir de carvão manteve-se estável em março, com queda de 3,5% fora da China e aumento de 2% no país.
  • Os volumes mundiais de transporte marítimo de carvão caíram 3%, atingindo o nível mais baixo desde 2021.
  • A produção total de eletricidade a partir de combustíveis fósseis caiu 1% face ao ano anterior, com a produção a gás a recuar 4%.
  • Energias renováveis destacaram-se: produção solar aumentou cerca de 14% em março e a eólica subiu cerca de 8% nos países analisados.
  • Apesar do bloqueio do Estreito de Ormuz, a expansão solar e eólica mundial em 2025 é suficiente para compensar esse facto duas vezes, segundo o CREA; a Europa já aposta em electrificação e renováveis para reduzir dependência de combustíveis fósseis. Também se prepara uma conferência internacional na Colômbia, entre 24 e 29 de abril, para discutir a transição.

O Centro de Investigação sobre Energia e Ar Limpo (CREA) afirma que não houve o esperado regresso do carvão após a crise energética criada pela guerra no Irão e o bloqueio do Estreito de Ormuz. Em março, a produção de eletricidade a partir de carvão manteve-se estável a nível mundial, com uma queda de 3,5% fora da China, que registou um aumento de 2%.

O relatório analisa grandes mercados — China, EUA, UE, Índia — que juntos respondem por cerca de 87% da produção global de eletricidade a partir de carvão. Além disso, o tráfego marítimo de carvão caiu 3%, atingindo o mínimo desde 2021, enquanto a produção total de eletricidade a partir de combustíveis fósseis recuou 1%.

Contexto e contributos das renováveis

A crise energética global, provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, elevou os preços e dificultou o abastecimento de combustível. Contudo, as energias renováveis atuaram como amortecedor, com a energia solar a poupar cerca de 3 mil milhões de euros à Europa em março. A produção solar subiu cerca de 14% e a eólica aproximadamente 8% nos países em análise.

Antes do encerramento do Estreito, o transporte de gás natural liquefeito pelo estreito respondia por quase um quinto das mercadorias mundiais desse combustível. O CREA estima que a capacidade solar e eólica, adicionada globalmente em 2025, seja suficiente para compensar esse volume duas vezes.

Perspetivas e medidas económicas

O CREA aponta que, após o fim efetivo de Ormuz, a produção de eletricidade a carvão diminuiu mais nos EUA, na Índia, na UE, na Turquia e na África do Sul. O fator determinante foi o custo relativamente baixo do carvão face ao gás, mas a recuperação não conseguiu sustentar aumentos rápidos na produção.

Ainda assim, planos de reabertura ou adiamento de centrais a carvão têm mostrado limitações, já que a transição energética e a descarbonização avançam mais rapidamente em muitos países. A Europa tem acelerado eletrificação, bombas de calor e energia solar para reduzir dependência de combustíveis importados.

A conferência internacional sobre a Transição Justa está marcada para Santa Marta, na Colômbia, entre 24 e 29 de abril, onde governos discutirão caminhos para abandonar os combustíveis fósseis.

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