- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que a União Europeia lidere a electrificação para resistir a choques energéticos, recorrendo a energia limpa produzida internamente.
- A guerra no Médio Oriente é apresentada como vulnerabilidade energética, com a fatura de importação de combustíveis fósseis a subir 27 mil milhões de euros em sessenta dias e uma perda diária de quase 500 milhões de euros.
- A Comissão prepara um Plano de Acção para a Electrificação com metas ambiciosas e prevê apresentar medidas até ao Verão; o pacote de redes energéticas ficará pronto até ao final de 2025.
- No orçamento atual, quase trezentos mil milhões de euros estão destinados à energia, com mais 95 mil milhões ainda disponíveis para acelerar a transição.
- Fazem-se ajustes na coordenação entre Estados-membros para reforçar reservas nacionais de gás e combustível, libertar reservas de petróleo e aumentar a produção das refinarias.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu que a UE se torne líder na electrificação para enfrentar choques energéticos recentes. O discurso ocorreu no Parlamento Europeu de Estrasburgo, durante uma declaração sobre dependência de combustíveis fósseis.
Von der Leyen considerou a dependência energética uma vulnerabilidade da UE e defendeu investir em energia limpa produzida internamente. Assinalou que as consequências do conflito no Médio Oriente podem prolongar-se meses ou anos, requerendo mudança para electricidade em transportes, indústria e aquecimento.
A líder comunitária destacou que a eletricidade representa menos de um quarto do consumo final de energia na Europa, o que exige acelerar a transição. Definiu como objetivo a liderança mundial da Europa na electrificação, com metas ambiciosas para um Plano de Acção.
Plano de Acção e metas
A Comissão Europe apoiar-se-á em um pacote para redes energéticas e melhoria de infraestruturas até final de 2025. Um Plano de Acção para a Electrificação deverá ser apresentado até ao Verão, com metas claras, segundo Von der Leyen.
No discurso, a presidente realçou o reforço financeiro já disponível. No atual orçamento, quase 300 mil milhões de euros estão destinados à energia, com 95 mil milhões de euros livres para uso. O objetivo é acelerar a transição com suporte aos Estados-membros.
Impactos económicos e exemplos
Foram apresentados números para justificar a urgência. Em 60 dias de conflito, a factura de importação de combustíveis fósseis aumentou de forma relevante, sem consumo adicional de energia, com custos superiores a 27 mil milhões de euros. A UE estaria a perder quase 500 milhões por dia.
A líder citou exemplos nacionais para ilustrar vias de redução. Na Suécia, o preço da electricidade reage pouco ao aumento do gás, pela elevada geração a partir de renováveis e energia nuclear. Este modelo é apresentado como referência para a descarbonização.
Apoio temporário e targeting social
A Comissão defende que ajudas de apoio devem manter-se temporárias e direcionadas aos consumidores mais vulneráveis. Von der Leyen criticou o uso de fundos não direcionados, recordando que um quarto do apoio de emergência de 2022 foi dedicado aos mais necessitados.
A comunicação sobre a resposta à crise enfatiza coordenação entre estados-membros na gestão de reservas nacionais de gás e combustíveis, incluindo gasóleo e jet fuel. Também aponta para libertação de reservas de petróleo para aumentar a produção das refinarias.
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