- A guerra no Irão elevou os preços de petróleo e gás devido ao controlo do Estreito de Ormuz, impulsionando a procura por tecnologias verdes na Europa.
- Analistas dizem que, mesmo com o alívio esperado após o conflito, as faturas de energia não devem cair de imediato, o que acelera a transição para renováveis.
- O calor extremo pode reduzir a eficiência de painéis solares e colocar pressão na rede elétrica, desafiando a fiabilidade da energia verde.
- A energia eólica britânica atingiu recordes de produção, mas ventos muito fortes podem forçar o desligamento de turbinas para evitar danos, com custos de compensação altos noutros países.
- Uma avaliação de Ember mostra que mais de 120 gigawatts de futuros projetos renováveis correm risco devido a limitações da rede, destacando a necessidade de modernização prevista pela UE.
A energia renovável é apresentada como solução para travar as alterações climáticas, mas o aquecimento global coloca em causa a sua fiabilidade. A guerra no Irão acelerou a corrida a fontes limpas na Europa, que enfrenta a volatilidade dos combustíveis fósseis.
O aumento dos preços do petróleo e do gás, impulsionado pelo controlo do Estreito de Ormuz, levou governos e consumidores a apostar mais em tecnologias verdes como veículos elétricos, bombas de calor e painéis solares. A procura intensifica-se.
Para muitos analistas, os preços elevados não serão rapidamente contidos, mesmo após a resolução de conflitos. A Europa aposta, então, em reforçar a independência energética através das renováveis, numa altura de incerteza económica.
Paradoxo do calor solar
Uma análise da SolarPower Europe mostra poupanças significativas com energia solar, que podem chegar a 67,5 mil milhões de euros até ao final do ano, se os preços do gás continuarem elevados. Contudo, o calor extremo pode reduzir a eficiência.
Ioanna Vergini, especialista, explica que mais sol nem sempre significa mais eletricidade. As células PV perdem eficiência com a temperatura, afetando a produção em ondas de calor.
Em episódios de calor extremo, como o verões de Espanha e Grécia, houve quedas na produção solar precisamente quando a procura por ar condicionado subia. Painéis a 65 °C chegaram a reduzir a capacidade em quase 20%.
Energia eólica e as limitações da rede
O vento forte impulsionou a produção eólica no Reino Unido, que atingiu um máximo de 23 880 MW em 26 de março, suficiente para abastecer 23 milhões de casas. Contudo, ventos excessivos levam a paragens para evitar danos.
A Octopus Energy aponta uma chamada “hora de pico” na rede, com a necessidade de compensação para manter a oferta. Em 2025, a compensação no Reino Unido rondou 1,47 mil milhões de libras.
Na Alemanha, as restrições de produção renovável custaram 435 milhões de euros em 2025. Espanha e França também registaram cortes significativos nos primeiros meses de 2025. O governo britânico estuda oferecer eletricidade mais barata ou gratuita para habitações quando a rede estiver sobrecarregada.
Desafio de adaptação às condições climáticas
Turbinas eólicas desligam-se para evitar falhas quando o vento atinge velocidades elevadas. A fundadora da wfy24.com alerta para o ponto ótimo da turbina, que pode exigir paragens em ventos extremos de cerca de 90 km/h.
Eventos recentes, como a tempestade Ciarán, mostraram dependência de centrais a gás quando a produção renovável é limitada por ventos fortes. Projetos de turbinas mais resistentes a ventos extremos estão já a surgir, inclusive em regiões propensas a furacões.
Hydro e a variabilidade climática
A Noruega, apelidada de a maior bateria da Europa, vê as reservas de neve em mínimos nas últimas duas décadas após um inverno quente e seco. A previsível produção hidroelétrica fica comprometida, estimando-se um défice de cerca de 25 TWh.
Alex Truby sustenta que a energia hidroelétrica europeia está cada vez mais variável, com padrões de precipitação a mudar. Melhorias na previsão, armazenamento e rede são cruciais para equilibrar a produção renovável.
Rede europeia sob pressão
Análises indicam que mais de 120 GW de futuros projetos verdes correm risco por limitações da rede. Segundo Ember, metade dos operadores de rede enfrenta capacidade insuficiente para ligar novos parques eólicos e solares até 2030.
A insuficiente rede pode atrasar 16 GW de instalações solares em telhados, afetando mais de 1,5 milhões de lares. A UE estima custos de investimento entre 85 mil milhões de euros anuais na rede entre 2031 e 2050.
Resposta institucional
A Comissão Europeia lançou, no ano passado, um pacote para modernizar redes, avaliando 1,2 biliões de euros para melhorar cabos, subestações e infraestrutura que transporta eletricidade pelo continente. As medidas visam reduzir dependência energética e melhorar resiliência.
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