- Espanha investiu fortemente em energia eólica e solar desde 2019, somando mais de 40 gigawatts, o que a coloca entre os países da UE com menor sensibilidade aos preços do gás.
- Segundo a Ember, isso reduziu em cerca de 75 por cento a influência das centrais fósseis no preço da eletricidade desde 2019, ficando menos exposta a choques do gás.
- Entre 2020 e 2024, a Espanha reduziu a fatura de importação de eletricidade mais do que qualquer outro país da UE, evitando a importação de 26 mil milhões de metros cúbicos de gás (valorado em 13,5 mil milhões de euros).
- Em agosto de 2025, o país não utilizou carvão para gerar eletricidade, sinalizando uma viragem contínua para renováveis e menor dependência de combustíveis fósseis.
- Especialistas apontam que, apesar das melhorias, falta maior capacidade de armazenamento de energia, com baterias de apenas 120 megawatts, o que reduz a resiliência a picos de procura.
A Espanha avançou rapidamente na energia limpa nos últimos seis anos, expandindo significativamente a capacidade de eólica e solar. Esse impulso colocou o país entre os que registam os preços de eletricidade mais baixos da Europa, mesmo em contexto de volatilidade energética mundial.
Entre 2019 e 2024, a Espanha duplicou a capacidade instalada, adicionando mais de 40 GW e ficando atrás apenas da Alemanha no ranking da UE. O efeito foi uma menor dependência do gás na formação do preço da eletricidade, ajudando famílias a enfrentar choques externos.
Impacto e dados do relatório Ember
Segundo o relatório da Ember, a Espanha reduziu, entre 2020 e 2024, a fatura de importação do setor elétrico mais do que qualquer outro país da UE, evitando a compra de 26 mil milhões de metros cúbicos de gás, num valor estimado de 13,5 mil milhões de euros.
Em agosto de 2025, o país não utilizou carvão na produção elétrica. Este contraste evidencia a viragem para renováveis iniciada há menos de uma década, quando o carvão representava cerca de um quarto da eletricidade nacional.
Economia energética atual e desafios
A redução da influência do gás na formação de preços tem sido uma das maiores conquistas, com custos de combustíveis fósseis menos determinantes para o valor da eletricidade. A rápida escalada de renováveis explica parte da estabilidade recente das faturas.
Apesar dos progressos, especialistas lembram que a capacidade de armazenagem continua aquém do desejado. O parque de baterias de 120 MW é modesto em relação aos equilíbrios energéticos necessários para cenários de crise.
Perspetivas globais e contexto económico
A volatilidade no Médio Oriente e o encerramento do estreito de Ormuz alimentaram receios de aumentos nas faturas. A Espanha, com investimento renovável, mostra menor exposição a choques do gás.
A transição influencia políticas públicas e o investimento privado, com avaliações destacando custos de longo prazo mais baixos para renováveis em comparação com combustíveis fósseis. Estudos internacionais reforçam essa visão de viabilidade económica.
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