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Esfera pública, incerteza e crise da prospetiva (II)

Na era da incerteza, a prospetiva transforma-se em gestão de risco e ações de curto prazo, com responsabilização cada vez mais difusa

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  • A prospeção pública enfrenta opacidade na imputação de responsabilidade, favorecendo ações políticas de curto prazo e aumentando o espaço de manobra dos agentes políticos.
  • A prospeção atual situa-se entre o diagnóstico do presente e a antecipação do futuro, priorizando gestão de riscos e possibilidades em vez de grandes previsões de progresso.
  • A prospeção tornou-se mais institucionalizada e burocrática, com sistemas de alerta, autorregulação e monitorização, gerando fadiga institucional e, em alguns casos, corrupção protegida por processos regulatórios.
  • Apresentam-se efeitos paradoxais: velocidade que aproxima o futuro gera tédio; risco moral aumenta; o futuro é instrumentalizado; há ciclos eleitorais que favorecem soluções rápidas e a cooperação é atrapalhada pelo congestionamento da prospeção; o futuro tende a privatizar-se entre os jovens.
  • Em Portugal, a prospeção está fortemente condicionada pela União Europeia; recomenda-se repensar fora da caixa para ampliar margens de liberdade e influenciar a UE com um eixo transatlântico, lusofonia e América Latina, evitando que a prospeção se reduza a mera perspetiva.

A atual análise sobre a prospetiva aponta para uma opacidade na imputação de responsabilidades, que beneficia agentes políticos com mais espaço de manobra. O texto defende a necessidade de um conceito de responsabilidade ajustado à complexidade da sociedade moderna.

Diante de riscos globais e das Grandes Transições, o horizonte temporal torna-se instável. A prospetiva, em vez de grande projeção, tende a uma microprospetiva de decisões modestas e sem impacto significativo.

O autor sustenta que a prospetiva hoje caminha entre diagnóstico e prognóstico, buscando ampliar campos de possibilidades e futuros diversos. O objetivo não é prever, mas gerir incertezas.

O que é a prospetiva hoje

O drama da prospetiva é que nada é pensado para durar; tudo é pensado para consumo imediato. A configuração atual cede lugar à adaptação e à gestão, com foco na monitorização.

A incerteza torna a política de responsabilidade limitada. A ligação ao futuro parece fraca, com difusão de responsabilidade e possívies de impunidade parcial.

O aparato da prospetiva funciona, por vezes, como sistema de advertência, prevenção de riscos e socialização de prejuízos difusos, ao invés de um pensamento estratégico.

A institucionalização da prospetiva gera fadiga institucional, com maior dependência de regras e processos. O texto critica essa tendência como excesso regulatório.

Impactos e perspetivas institucionais

O lobbying em torno da prospetiva beneficia a socialização de prejuízos não intencionais e efeitos sistémicos, com uma teia de processos que pode encobrir irregularidades.

A contingência estrutural passa a centro da existência, afastando a ideia de erro como simples variação e aprofundando o risco/novas probabilidades.

Embora haja mais prosperidade de recursos analíticos, o futuro continua enigmático. A prospetiva surge como campo paradoxal entre receios e esperanças.

Efeitos paradoxais

A velocidade aproxima o futuro do presente, gerando tédio em vez de entusiasmo. O risco moral aumenta com a pressa de decisão. O futuro é instrumentalizado para benefício imediato.

O ciclo eleitoral favorece soluções de curto prazo em detrimento de uma prospetiva ampla. O diálogo e a cooperação perdem espaço com o foco em resultados rápidos.

A privatização do futuro acentua a visão individual entre jovens, dificultando respostas coletivas. A verosimilhança da prospetiva pode reduzir a adesão a cenários de alto nível.

Contexto português e caminhos futuros

A prospetiva portuguesa está amplamente racionalizada pela União Europeia, o que limita margens de manobra. O texto defende reabilitar a prospetiva com maior liberdade para pensar fora da caixa.

Propõe alinhar o vetor europeu com o transatlântico, a lusofonia e a América Latina, incluindo o mar português e as ilhas no quadro da zona económica exclusiva.

A mensagem final é um alerta: sem pensar fora da caixa, a prospetiva transforma-se apenas em perspetiva, reduzindo imaginação, inteligência e criatividade.

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