- Após o alegado ataque com drone perto de uma base britânica em Acrotíri, Chipre, as inspeções revelaram que cerca de 200 dos 2.500 abrigos civis registados estavam inutilizáveis.
- Foram encontrados parques de estacionamento bloqueados, caves usadas para armazenamento, abrigos cheios de lixo e locais que não conseguiam ser localizados na aplicação SafeCY.
- Equipes especializadas, incluindo engenheiros civis do ministério do Interior, iniciaram os controlos a 1 de março, com instruções de limpar os abrigos dois dias depois.
- A UE tem poder limitado na proteção civil: pode apoiar e coordenar via o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia (MPCU) e a reserva rescEU, mas não impor ou financiar a construção de abrigos permanentes.
- O caso de Chipre evidencia disparidades entre os Estados-membros: a Finlândia está amplamente coberta por abrigos; a Alemanha planeia investir para aumentar a capacidade, enquanto outros países têm cobertura mínima ou inexistente.
Os abrigos civis da Europa voltam a preocupar. As inspeções em Chipre, após um alegado drone de fabrico iraniano ter atingido uma base britânica, mostraram que cerca de 200 dos 2.500 abrigos registados estavam inutilizáveis. Os controlos começaram a 1 de março e incluíram limpeza de espaços ocupados por estacionamento bloqueado, caves usadas para armazenamento e locais não localizáveis na aplicação SafeCY.
Equipes especiais, entre engenheiros civis do Ministério do Interior e profissionais de várias entidades, aceleraram os trabalhos de inspeção. Em dois dias, receberam instruções para limpar os abrigos, que se encontravam em condições de desfunção e abandono. O caso em Chipre evidencia um problema comum a muitos países: a degradação de infraestruturas de defesa civil criadas na Guerra Fria.
A União Europeia tem uma atuação limitada na proteção civil, dependendo dos Estados‑membros para construir e manter abrigos. O MPCU facilita assistência quando a capacidade nacional falha, e a reserva rescEU oferece abrigos temporários, não bunkers de alta resistência.
O que é que a UE pode e não pode fazer
A proteção civil é, em última instância, competência nacional. A UE pode coordenar ações, não impor normas ou financiar de forma obrigatória a construção de abrigos. O subsídio de subsidiariedade restringe Bruxelas sem alteração do Tratado.
A UE gerencia capacidade de resposta via MPCU e reserva rescEU, que facilita deslocação de abrigos temporários em emergências. Contudo, estes abrigos são modulares e não substituem bunkers resistentes a explosões.
Custos e utilizadores da rede rescEU
A UE autorizou mais de 196 milhões de euros para reservas rescEU entre 2021 e 2027. A Suécia lidera com 40,4 milhões e capacidade para 36.000 pessoas. A Polónia desenvolve seis “cidades-contentores” a um custo de 35,5 milhões de euros.
Chipre pode candidatar‑se a acolher a sua reserva rescEU, pagando com fundos da UE. Até agora, não houve pedido formal. O modelo de resposta de emergência internacional tem mostrado eficácia na Ucrânia, mas sem suprir todas as necessidades locais de abrigo permanente.
Desigualdade de cobertura entre Estados‑Membros
A cobertura de abrigos varia muito. A Finlândia tem 50.500 abrigos para 85% da população. Alemanha opera menos de 600 bunkers, com planos de ampliar a capacidade até 1 milhão de pessoas até 2030. Países baixos e alguns Estados mediterrâneos mantêm números modestos.
Chipre está a reavaliar o seu programa de abrigos desde 1999, estudando exigir que espaços subterrâneos de novos edifícios sirvam de abrigo, com incentivos de construção para privados. O objetivo é reforçar a resiliência sem depender de grandes redes permanentes.
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