- O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, diz que não vai discutir telefonemas enquanto há população sem comunicações, mais de um mês depois da tempestade Kristin.
- O ministro Nuno Melo afirmou ter contactado Gonçalo Lopes em 29 de janeiro, mas não obteve resposta, e mostrou mensagens no WhatsApp.
- Entre 1 e 3 de fevereiro, a autarquia recusou recursos militares: vigilância de geradores, valência de drones, cozinha de campanha e reforço de mais de 90 militares da Marinha.
- A Câmara diz ter montado, desde 28 de janeiro, uma operação com cerca de 700 pessoas, abrangendo bombeiros, proteção civil, forças de segurança e Forças Armadas.
- No esclarecimento da autarquia, é descrita a atuação em Leiria com um Posto de Comando ativo, coordenação entre entidades e fornecimento de refeições, mantendo contacto permanente com as Forças Armadas.
Gonçalo Lopes, presidente da Câmara de Leiria, recusou discutir telefonemas feitos pela autarquia ao longo de janeiro, quando ainda havia população sem comunicações. O tema surgiu na sequência de declarações do ministro Nuno Melo sobre contactos recebidos e não atendidos, após a passagem da tempestade Kristin.
O ministro afirmou ter contactado o autarca assim que chegou a Portugal, no dia 29 de janeiro, vindo da Turquia, e mostrou mensagens de WhatsApp relacionadas. Segundo Nuno Melo, o autarca não atendeu nem respondeu a uma primeira chamada, e várias ajudas recebidas foram recusadas por entenderem não necessárias.
Nuno Melo também indicou que, nos dias 1 e 2 de fevereiro, a autarquia recusou militares para vigiar geradores devido a furtos, bem como a disponibilização de drones aéreos e de uma cozinha de campanha. No dia seguinte, foi recusado um reforço de mais de 90 militares da Marinha, segundo o ministro.
Na sexta-feira, Gonçalo Lopes adiantou que, desde 28 de janeiro, o município montou uma operação integrada de 700 pessoas, incluindo bombeiros, proteção civil, forças de segurança e Forças Armadas, para apoiar a população durante a crise. O autarca destacou o envolvimento das Forças Armadas no dispositivo.
Linha temporal e cooperação operacional
O município defende que, no dia 28 de janeiro, foi instalado um Posto de Comando e iniciou-se a coordenação operacional com várias entidades de proteção e socorro, incluindo o fornecimento de refeições a operacionais e militares no Seminário de Leiria. Também foram realizados dois briefings diários com oficiais de ligação.
Forças Armadas, Regimento de Artilharia n.º 4 e Base Aérea n.º 5, bem como o Comando Sub-Regional de Emergência, foram contactados para avaliar a mobilização de meios. A nota de clarificação explicita que, devido a danos nas instalações militares e falhas de comunicação, não foi possível mobilizar tais meios imediatamente.
A Marinha foi a primeira força a entrar no concelho, com fuzileiros, seguidos pelos restantes ramos através de oficiais de ligação no Posto de Comando. Nos dias 1 e 2 de fevereiro, avaliou-se a vigilância de geradores, mas não foi necessária dada a reforçada atuação da PSP e da GNR desde 29 de janeiro.
A possibilidade de usar drones foi estudada, mas o dispositivo existente já com meios da GNR resolveu a questão. Quanto à cozinha de campanha, considerou-se desnecessária, já que o fornecimento de refeições estava garantido pelo Município. Mais de 90 militares da Marinha foi, opcionalmente, alvo de avaliação, mas o reforço ficou para outros concelhos.
O esclarecimento municipal reforça que os meios militares entraram num dispositivo de coordenação já montado, com Posto de Comando ativo, comunicações estáveis e apoio logístico garantido pelo município, incluindo combustível, alimentação e equipamentos. Durante toda a operação, o Município de Leiria manteve articulação permanente com as Forças Armadas.
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