- Rocío San Miguel, advogada e analista política especializada em assuntos militares venezuelanos, foi libertada após quase dois anos de detenção, confirmada pela família e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha.
- A libertação acontece num momento de fragilidade política, dias após a captură de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas.
- San Miguel, de 59 anos, liderava a organização não governamental Controlo Cidadão, que monitoriza as Forças Armadas e denuncia o uso excessivo da força pelas autoridades.
- Foi detida em fevereiro de 2024 pela Venezuela, sob acusações de terrorismo, traição à pátria e conspiração, relacionada com a alegada operação Bracelete Branca para assassinar Maduro.
- A libertação integra o primeiro grupo de presos libertados pelo novo poder interino, liderado por Delcy Rodríguez; organizações de direitos humanos descrevem a detenção como sinal de nova fase de repressão.
Rocío San Miguel, figura de referência em segurança e defesa, foi libertada pelas autoridades venezuelanas após quase dois anos detida. A sua libertação foi confirmada pela família e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha, país a que pertence pela dupla nacionalidade. A libertação ocorre num contexto político frágil, dias após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas.
San Miguel, de 59 anos, é advogada de formação e era presidente da organização Controlo Cidadão, ONG que fiscaliza as Forças Armadas e denuncia abusos de força. A detenção ocorreu em fevereiro de 2024, sob acusações de terrorismo, traição à pátria e conspiração, ligadas à operação Bracelete Branca, alegada conspiração contra o líder chavista.
A acusação envolveu ainda o antigo companheiro, um oficial militar reformado, também detido no mesmo processo. A Amnistia Internacional pediu a libertação da analista na altura. Durante o tempo de prisão, a família relata visitas regulares apenas da filha.
Contexto e repercussões
A libertação de San Miguel marca o primeiro grupo de cidadãos espanhóis libertados sob o novo poder interino liderado por Delcy Rodríguez, segundo anúncio do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Espanha. Cinco espanhóis integram este grupo, todos em bom estado de saúde, conforme a comunicação publicada na rede social do ministério.
Organizações de direitos humanos reagiram de forma contundente à prisão, considerando-a uma repressão contra a defesa dos direitos humanos. O Observatório de Prisões da Venezuela descreveu o caso como uma criminalização da atividade de defesa dos direitos humanos.
De acordo com o Foro Penal, a Venezuela já registou mais de 18 mil detenções por motivos políticos desde 2014, com pelo menos 863 pessoas atuais presas, entre dirigentes, ativistas, jornalistas e manifestantes.
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