- A Câmara de Mértola criticou o silêncio do Governo frente aos pedidos de esclarecimento sobre a possibilidade de o concelho ser alternativa ao Campo de Tiro de Alcochete da Força Aérea Portuguesa.
- O presidente, Mário Tomé, disse à Lusa que tem ocorridas diligências desde novembro, incluindo pedidos formais de audiências aos ministérios da Defesa Nacional e das Infraestruturas, sem qualquer comunicação oficial até ao momento.
- O município destaca as implicações ambientais de Mértola (lince ibérico, Parque Natural do Vale do Guadiana e capital nacional da caça) e questiona se ter o campo de tiro na região defenderia o ambiente ou o setor cinegético.
- A autarquia sublinha a importância de diálogo institucional e do envolvimento da comunidade antes de qualquer decisão, apontando que o projeto não pode ser decidido à margem do poder local.
- Recorda que, em 19 de fevereiro do ano anterior, Serpa e Mértola, juntamente com a Associação de Defesa do Património de Mértola, já se tinham manifestado contra a transferência, apesar de o Governo ter garantido que não havia decisão tomada.
A Câmara de Mértola criticou o silêncio do Governo sobre a possível mudança do Campo de Tiro para o concelho. A autarquia questiona se Mértola pode ser alternativa ao Campo de Tiro de Alcochete da FAP.
O presidente da Câmara, Mário Tomé (PS), afirmou à Lusa que há uma ausência de respostas às diligências enviadas para perceber se o concelho é considerado como alternativa. Pedidos de audiências foram dirigidos a Defesa Nacional e Infraestruturas.
Desde novembro do ano passado, a autarquia tem tentado obter informação concreta sobre o projeto, com contactos diretos com as Forças Armadas. Ainda assim, não houve comunicação oficial até ao momento.
A Câmara considera a situação grave institucionalmente e prejudicial à tranquilidade das populações, pela falta de informação. O impacto é visto como negativo para a confiança no processo.
O autarca destacu as características ambientais de Mértola, como a reintrodução do lince ibérico, o Parque Natural do Vale do Guadiana e o núcleo da caça na região. Questiona se a instalação do campo de tiro respeita o ambiente.
Como exemplo de investimento ambiental, referiu a Estação Biológica de Mértola, com custo próximo de quatro milhões de euros. O município lembra que qualquer projeto sensível não pode ser decidido sem diálogo local.
Mário Tomé afirmou que o processo não pode ser conduzido à margem do poder local e sem envolvimento da comunidade. Afirmou que o Governo deve responder aos ofícios já enviados.
Em fevereiro do ano passado, Serpa, Mértola e a Associação de Defesa do Património recusaram a transferência do Campo de Tiro de Alcochete para o Alentejo, embora o Governo tenha dito não haver decisão tomada.
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