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Seguro defende fim da unanimidade na UE e Atlântico não é só EUA

Seguro defende fim da unanimidade na UE e maior autonomia europeia, olhando para o Atlântico além de Estados Unidos da América (EUA) e para a parceria com o Canadá

António José Seguro no encerramento do Fórum La Toja – Vínculo Atlântico, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa
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  • O Presidente da República defende reformas institucionais da União Europeia, incluindo o fim da regra da unanimidade em alguns domínios, para reforçar autonomia tecnológica e energética.
  • Propõe que a Europa repense o Atlântico, olhando para lá dos Estados Unidos e fortalecendo relações com democracias como o Canadá.
  • Aponta para um arranjo institucional sólido, capaz de decidir com voz credível em política externa e de mobilizar recursos à escala dos desafios.
  • Enfatiza a necessidade de autonomia estratégica europeia, com menos dependência externa, transição energética rápida e investimento em tecnologia de duplo uso.
  • Mantém a relação com os Estados Unidos como eixo da política externa, defende a NATO e uma parceria transatlântica baseada em igualdade de interesses e valores.

O Presidente da República defendeu nesta quinta-feira o aprofundamento político da União Europeia através de reformas institucionais que incluam o fim da regra da unanimidade em alguns domínios. O anúncio foi feito no encerramento do Fórum La Toja – Vínculo Atlântico, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

António José Seguro pediu reforçar a autonomia europeia em tecnologia e energia, e chamou a Europa a repensar o seu posicionamento atlântico para lá dos Estados Unidos. O chefe de Estado sublinhou a necessidade de uma UE capaz de falar com uma voz credível na política externa e de mobilizar recursos à escala dos desafios atuais.

Rumo a reformas institucionais

Segurou que a Europa não pode continuar a depender de mecanismos do século XX. Defendeu o abandono progressivo da unanimidade em domínios onde a paralisia custa mais do que decisões imperfeitas. A ideia é criar uma estrutura institucional mais sólida, eficiente e com recursos próprios.

O Presidente destacou ainda que a segurança europeia requer coordenação, investimento e uma visão comum. Defendeu a promoção da autonomia tecnológica europeia, o reforço de sistemas científicos e o desenvolvimento de tecnologia de duplo uso para liderar as grandes transformações digitais.

A prioridade energética

Na área energética, o Presidente apontou para a redução de dependências externas e para acelerar a transição para fontes sustentáveis. Esta vertente é apresentada como uma questão de soberania, não apenas ambiental, para garantir estabilidade e capacidade de decisão da UE.

Relações transatlânticas e novas parcerias

Em política externa, o chefe de Estado afirmou que a relação com os EUA continua a ser um eixo estruturante da política europeia e que a NATO permanece necessária. Porém, reforçou que as relações transatlânticas devem evoluir para uma parceria entre iguais.

Seguro também criticou a ideia de que o Atlântico começa em Lisboa e termina em Nova Iorque. Enfatizou a recente aproximação entre o Canadá e a Europa como uma oportunidade que não deve ser desperdiçada, defendendo uma cimeira UE-Canadá com resultados reais, não apenas diplomacia.

Conclusão

O Presidente da República advertiu que a Europa precisa escolher entre ser sujeito da História ou estar à mercê de decisões externas. O discurso encerrou-se com a defesa de uma Europa soberana, capaz de decidir e agir com os seus interesses e valores.

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