- António Costa afirma que, no futuro, a União Europeia terá de dialogar com a Rússia para a paz na Ucrânia, mas não será já nem ligado ao fornecimento energético.
- O presidente do Conselho Europeu diz que as relações com a Rússia não estão na agenda atual, mas poderão surgir para discutir segurança europeia e a paz na Ucrânia.
- As declarações ocorrem à volta de uma cimeira europeia sobre competitividade econômica e energia, num contexto em que o belga Bart De Wever defendeu normalizar relações para gás a preços mais baixos.
- Costa afirma que a UE continuará a pressionar economicamente a Rússia e a apoiar a Ucrânia, preparando-se para, se necessário, envidar os seus próprios esforços de paz caso os EUA não avancem.
- A estratégia europeia mantém a dissociação da energia russa, apesar da crise energética atual, com os Estados Unidos a atuar como mediadores diplomáticos.
O presidente do Conselho Europeu disse que, no futuro, a UE terá de dialogar com a Rússia para promover a paz na Ucrânia, mas sublinhou que esse momento não deverá chegar já e não estará ligado ao fornecimento energético. A afirmação foi feita em entrevista à Lusa e a outras agências.
Costa explicou que as relações com a Rússia não constam da agenda atual, mas admitiu a necessidade de um diálogo sobre segurança europeia e paz na Ucrânia num momento seguinte. O dirigente destacou que esse passo não ocorrerá no imediato.
As declarações surgem na esteira de comentários do primeiro-ministro belga, que defendia normalizar as relações com Moscovo para eventualmente restabelecer um abastecimento energético mais barato, se o diálogo facilitar a paz.
O chefe do Conselho Europeu acrescentou que as ações atuais vão mantendo pressão económica sobre a Rússia e apoiando a Ucrânia por todos os meios, mantendo, porém, a possibilidade de a UE investir, no futuro, em esforços próprios para uma solução duradoura.
Costa lembrou ainda a estratégia de dissociação energética da UE face à Rússia, numa altura de crise energética vinculada ao conflito no Médio Oriente. A União tem vindo a reduzir a dependência de gás e petróleo russos desde o início da invasão, em 2022.
Os EUA continuam a atuar como mediadores, promovendo negociações entre Rússia e Ucrânia e apresentando planos de paz com cessar-fogo, garantias de segurança e mecanismos de verificação, enquanto a UE e a Ucrânia defendem condições claras para qualquer acordo de paz.
Apesar dos avanços diplomáticos, o progresso permanece limitado devido à resistência russa. A UE e a Ucrânia reforçam a necessidade de, no futuro, se procurar uma paz justa e duradoura, com compromissos sobre a integridade territorial e segurança regional.
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