- Cerca de oito mil agricultores de vários países ocuparam Bruxelas, bloqueando vias com tratores e pneus incendiados, desde as primeiras horas da manhã, em protesto contra o acordo UE‑Mercosul e as alterações à PAC.
- O presidente francês, Emmanuel Macron, repetiu a oposição ao acordo e pediu negociações estendidas; França e Itália mantêm reservas que podem inviabilizar a aprovação.
- O Conselho Europeu discute diretrizes de salvaguarda para proteger produtores europeus ante o possível aumento de importações da América do Sul.
- A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul está marcada para sábado, em Iguaçu, Brasil, e os protestos visam influenciar a cimeira.
- Os agricultores temem cortes nos subsídios da PAC, estimados em cerca de 20% a partir do próximo ano.
Milhares de agricultores de vários países europeus ocuparam as ruas de Bruxelas pela manhã, protestando contra a assinatura do acordo UE-Mercosul e contra alterações previstas na PAC. O grupo também pressionou durante a cimeira do Conselho Europeu que se iniciou hoje.
Estima-se que cerca de 8 mil produtores participaram, muitos deslocados em tratores e carrinhas para bloquear vias centrais. Pneus foram queimados perto da Praça do Luxemburgo, junto ao Parlamento Europeu, num movimento para chamar atenção aos receios com o aumento de importações sul-americanas.
A chuva de eventos de hoje pretende impactar o início da cimeira e forçar negociações sobre o tema. Perante o movimento, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo e água para dispersar parte da manifestação no centro da capital belga.
O que está em jogo
A assinatura do acordo de comércio livre entre a UE e o Mercosul está marcada para sábado, em Foz do Iguaçu, Brasil. Agricultores temem perdas de subsídios e danos à produção europeia devido à maior competição com produtos sul-americanos.
França e Itália já manifestam reservas, o que pode inviabilizar a aprovação do texto. Os dois países insistem em negociações adicionais antes de apoiar a ratificação pelo Conselho Europeu.
Salvaguardas e consequências
A União Europeia aprovou diretrizes de salvaguarda para proteger agricultores europeus, permitindo à Comissão Europeia agir sobre aumentos de importações que causem danos. A medida visa conter impactos no setor agrícola.
Em Bruxelas, o Presidente francês Emmanuel Macron reiterou a oposição ao acordo e pediu negociações estendidas. O chanceler alemão, por sua vez, mencionou que a credibilidade da UE depende de decisões rápidas.
Contexto da PAC
Os agricultores também expressaram preocupação com mudanças previstas à PAC, que podem traduzir-se em cortes de subsídios de cerca de 20% a partir do próximo ano. O objetivo é manter a competitividade da produção europeia.
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